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Diga Não ao Desperdício

Os grandes vilões do desperdício são o manuseio, o transporte e a embalagem. Acondicionar produtos em embalagens adequadas, fazer o transporte e manuseio de acordo com algumas normas básicas são fundamentais para evitar perdas, garantir a boa qualidade, e conseqüentemente, maior lucro.

Em alguns casos, certos produtos são "forçados" a entrar nas caixas. O procedimento é justificado pelos produtores como sendo uma maneira de impedir que a mercadoria fique solta dentro da embalagem evitando que durante o transporte o produto tenha atrito com a caixa. Este procedimento é responsável por boa parte das perdas, que em alguns casos podem chegar a 40%, da colheita à mesa do consumidor. Embalagens padronizadas e adequadas a cada produto minimizam esse problema.

A Ceagesp vem orientando agricultores e permissionários para o embalamento adequado dos produtos. Atualmente, 96% dos produtos comercializados nos Ceasas já estão acondicionados em embalagens que atendem às exigências da lei. A padronização das embalagens beneficia os produtores, porque sabem exatamente a quantidade e o tamanho das embalagens e caixas que devem usar para sua produção. No caso dos permissionários a padronização proficia que recebam um produto cuja variação de peso é mínima e controlada, além de utilizar menos espaço para o armazenamento.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolveu o Programa Paulista para Melhoria dos Padrões Comerciais e Embalagens de Hortigranjeiros. A Ceagesp é o braço operacional deste programa e já desenvolveu estudos sobre diversos produtos, como alface, tomate, berinjela, pimentão, banana, caqui, pêssego. Este programa, cuja adesão é voluntária, estabelece critérios de classificação dos produtos e apresenta as embalagens mais adequadas a cada alimento.

Dicas para evitar o desperdício

Na fase de planejamento das culturas

Na pré-colheita

Na colheita

Na pós-colheita

No embalamento

No armazenamento e transporte

Na casa do consumidor

Na fase de planejamento das culturas (decisões de plantio):

Selecionar as variedades mais adequadas às condições locais de clima e solo;

estudar as potencialidades e oportunidades do mercado;

planejar a produção (época e quantidade) de acordo com as condições mais favoráveis de comercialização;

procurar formas associativas e cooperativas de comercialização, que melhora a inserção dos produtos no mercado e poder de barganha.

Na pré-colheita:

Corrigir a acidez do solo e adubá-lo corretamente, de acordo com as necessidades do solo e da cultura;

seguir as instruções técnicas para uso de defensivos agrícolas;

realizar operações de desbaste quando necessário, deixando apenas as plantas ou frutos em melhores condições, para obtenção de um produto final saudável e de qualidade.

Na colheita:

Investir no treinamento e qualidade da mão-de-obra;

evitar colher os produtos nas horas mais quentes do dia;

os produtos colhidos devem ser deixados à sombra e levados o mais rápido possível ao barracão ou local de seleção, classificação ou acondicionamento. Este local deve ser seco, arejado, limpo e fresco;

frutas e hortaliças devem ser manuseadas com cuidado para evitar choques e machucaduras;

usar sacos, caixas ou baldes para transportar frutas e hortaliças do campo até o barracão.

Esses recipientes devem estar limpos e ter superfície lisa.

Na pós-colheita:

Fazer a seleção dos produtos colhidos, separando-os por grau de maturação ou defeitos que tornem indesejáveis sua aceitação no mercado. Sempre que possível, enviar o material aproveitável à indústria para o processamento;

lavar ou escovar os produtos para remover partículas do solo ou materiais estranhos;

se forem lavados, os produtos devem ser secos para evitar o crescimento de microorganismos, que podem ocasionar o apodrecimento do produto e gerar doenças;

em produtos como cebola, alho, batata, batata doce, inhame e mandioca é recomendável a cura. Este processo consiste na remoção do excesso de umidade dos bulbos e raízes, antes desses produtos serem conduzidos ao armazenamento, ainda no campo;

as verduras podem passar pela operação de toalete. Este tratamento tem por objetivo eliminar folhas, caules e raízes indesejáveis;

frutas podem receber uma camada de cera para substituir a cera natural retirada do produto durante a lavagem;

classificar corretamente os produtos, segundo as exigências do mercado. Grau de maturação, coloração, tamanho (comprimento e/ou diâmetro) e presença de defeitos são fatores a serem observados na classificação. O lote deve ser o mais homogêneo possível.

Produtos misturados desvalorizam a mercadoria e induzem o consumidor ao manuseio excessivo, acelerando e aumentando as perdas.

No embalamento:

Embalar adequadamente as mercadorias. A embalagem ideal, independente do material utilizado, é aquela que protege e mantém a qualidade do produto, além de separá-los em unidades convenientes para o manuseio e comercialização. É preferível que as embalagens sejam destinadas diretamente ao comércio varejista e que permitam uma boa apresentação e apreciação do produto;

as embalagens devem ser ou descartáveis ou passíveis de serem desinfetadas, não devem ter superfície abrasiva ou cantos que provoquem machucaduras. Embora cada produto precise de embalagem específica, os materiais mais recomendados são papelão ondulado, madeira laminada e plástico.

sempre que possível, deve-se realizar a paletização das cargas. Essa padronização de tamanho torna mais racional e otimiza tempo e recursos dispendidos na movimentação das mercadorias.

No armazenamento e transporte :

Armazenar cada produto segundo suas exigências e tolerâncias de temperatura, umidade relativa e circulação de ar nos armazéns ou câmaras frigoríficas. Em muitos casos, é aconselhável a realização de um pré-resfriamento antes da armazenagem. Essa operação demove rapidamente o calor dos produtos perecíveis e sua temperatura fica próxima daquela que será utilizada durante o período de armazenamento ou transporte. Alguns produtos são incompatíveis e não podem ser armazenados simultaneamente em frigoríficos ou armazéns;

o uso do frio deve ser contínuo ao longo de toda a cadeia - da produção até o consumidor final, o que permite a manutenção da qualidade dos produtos. Choques térmicos são sempre danosos;

no transporte, não sendo possível o uso de veículos refrigerados, as cargas devem ser protegidas com lonas limpas e de cores claras. É preciso garantir a circulação de ar, para evitar o abafamento e calor excessivo sobre as mercadorias;

quando o carregamento e descarregamento são manuais, as embalagens não devem ser jogadas pelas pessoas responsáveis por essas atividades;

carga e descarga devem ser rápidas para evitar que os produtos fiquem expostos ao sol.

Na casa do consumidor:

O consumidor deve comprar hortaliças com folhas e talos e utilizá-los na alimentação. Estas partes têm alto valor nutritivo;

as hortaliças devem ser guardadas inteiras, nunca cortadas ou descascadas, em sacos plásticos na parte baixa da geladeira;

as frutas maduras devem ser conservadas em geladeira. Só devem ser mantidas em temperatura ambiente até atingir a maturação desejada.

Fonte: www.ceagesp.com.br



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