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As galinhas e os frangos deste projeto submetem-se também aos mesmos princípios da Agricultura Orgânica. Não se compra rações, não são usados antibióticos preventivamente. As vitaminas e minerais vêm naturalmente em seus alimentos, produzidos no local. O sistema de criação é semi-intensivo, com pastejo rotacionado sobre capim quicuio.
Neste sistema os animais são criados em gaiolas móveis, feitas de tubo de alumínio (pode ser sarrafados de madeira usada de obra, porém ficam bastante pesadas) e teladas, com apenas metade coberta com telhas bem ventiladas e isoladas. Dessa metade, a metade é fechada com um alojamento noturno. Só nesta parte existe piso, forrado com bagaço bem seco de cana. Nos ¾ restantes, o piso é o próprio pasto, onde os animais se alimentam e ciscam durante o período iluminado do dia.
Diariamente a gaiola (tipicamente para 60 ou para 120 frangos ou galinhas adultas, mas há uma grande variabilidade no tamanho do plantel e da gaiola) é movimentada, passando a ocupar uma área nova de pastoreio, exatamente ao lado daquela em que estava. As dejeções dos animais servem ao trabalho de fertilização do capim, que, de acordo com os dados de análise de seiva, pode receber um pouco de adubo organo-mineral ocasionalmente. Esse capim é o quicuio, uma braquiária de especial palatabilidade e valor nutricional para galináceos.O uso desse pastoreio e do ciscar concomitante leva a uma redução da necessidade de concentrado da ordem de 50%.
Durante o período escuro do dia, os animais se recolhem automaticamente ao abrigo onde encontram poleiros e a ração de concentrado preparada na propriedade, com milho orgânico próprio e farelo de leguminosas forrageiras, com eventuais suplementações orgânicas – mas nunca de origem animal. Nesse período em que comem muita ração concentrada e repousam em ambiente seguro, os estercos são reunidos sobre a cama de bagaço e irão servir mais tarde, para compor fórmulas organo-minerais especiais para viveiros. A maior concentração de macronutrientes dos dejetos de aves facilita sua utilização também na elaboração de fórmulas organo-minerais para coberturas específicas.
Podendo se expor ao melhor de todos os antibióticos, o Sol, as aves adquirem uma resistência maior às moléstias. Também a possibilidade de ciscar e descobrir insetos e outros alimentos, na terra serve para a mesma finalidade. Os animais não ficam restritos a galpões escuros e apertados o tempo todo, mas podem reproduzir na prática aquilo que é seu ciclo natural durante o dia. Esta é a melhor solução de compromisso entre adensamento e naturalidade. A produtividade, em conseqüência, é elevada. Porém, não como a dos criatórios industriais onde se pratica o superadensamento.
Não temos o menor interesse em um sistema tão cretino (essa é a palavra certa) como esse. Um sistema que acorrenta o produto à situação do fornecedor sempre pressionado e endividado, vendedor de carne barata para a indústria de processamento. Nós não precisamos construir galpões caríssimos, com equipamento também caro, para ficar depois à mercê dos preços da soja e do milho. E, à mercê dos fornecedores de pintos de um dia. E, de quanto a industria de beneficiamento está disposta a pagar pelo frango que você fornece.
Para, em certas ocasiões, ter como lucro único, a venda da cama de frango, precioso insumo que poderia ser processado na propriedade como base para a fabricação de riquíssimo adubo organo-mineral. E não vendido para ser usado como se um adubo fosse, desperdiçando essa extraordinária matéria-prima. Ou, ainda pior, vendido para ser usado de uma forma absolutamente anti-natural, como concentrado protéico para o gado. Alimento animal para animais herbívoros: será que a síndrome da vaca louca não foi suficiente para mostrar esse equívoco primário? Em Agricultura Orgânica, a norma internacional simplesmente proíbe este tipo infantil de erro.
Centenas de estabelecimentos de pecuária convencional têm mostrado como a simples adubação intensiva, associada à irrigação dos pastos, permite lotações de até 10 cabeças de boi por hectare. O lugar certo para a cama de frango é como parte do adubo organo-mineral que será levado ao solo para a produção da gramínea, leguminosa ou oleaginosa que irá, depois, entrar na alimentação do animal. Vai produzir uma espécie de ,milagre da multiplicação e os nutrientes necessários serão capturados da mesma forma pelo organismo do animal.
No sistema de pastejo rotativo em gaiolas móveis, o custo das instalações é muito baixo. Uma gaiola de madeira custa 30 reais uma de alumínio chega a 90, isso se forem construídas na própria fazenda ou sítio. Com 1 gaiola de 3x4 metros, você aloja com grande conforto e sobre capim mais do que o suficiente para o pastoreio diário, 60 aves adultas. Nesse espaço, num galpão industrial, você colocaria no mínimo 120 frangos, sem falar em superadensamento. Mas, por que superadensar? Para tirar o máximo de proveito da construção que é o galpão. Mas, nós não precisamos de galpão. Também, não precisamos de ração industrializada. E, muito menos de agroindústrias para comprar nosso produto na bacia das almas.
Nós usamos conjuntos de gaiolas baratíssimas e muito confortáveis para os animais, que ali nunca se estressam. Não precisamos amontoar os pobre animais para eles se devorarem por canibalismo e se tornarem vítimas potenciais de epidemias arrasadoras. Sem hormônios, sem antibióticos na água, sem antibióticos nas rações, lá se vão nossos produtos avícolas para os nossos clientes sem um micro grama de antibiótico, sem um micro grama de agrotóxicos, mas cheios de vitalidade e saúde. São produtos nobres, especiais, para clientes especiais que estão dispostos a pagar por qualidade e INVESTIR com você na produção que garanta a eles o acesso a esses produtos fantásticos.
Você acha que esse negócio de antibiótico não tem importância? Pois a Academia Nacional de Ciências dois Estados Unidos acha que tem. Há mais de 10 anos ela vem alertando insistentemente, através do seu Instituto de Medicina, para os riscos associados à rotineiramente maciça adoção dos antibióticos nos confinamentos animais.
Mas, afinal, qual é o problema? Ele se chama RESISTÊNCIA ADQUIRIDA aos antibióticos. Resistência por parte de bactérias que conseguem superar a barragem imposta pelos antibióticos usados nas rações, na água ou injetados em animais. Tornam-se simplesmente imunes a esses antibióticos. Que, é claro, têm que estar sempre mudando e, conseqüentemente, ficando mais caros, apesar de ter amortizado o custo de seu desenvolvimento laboratorial.
Assim, têm surgido entre períodos de tempo bastante reduzido, as CEPAS RESISTENTES A MULTIPLAS DROGAS. Um exemplo bem recente é o problema cada vez mais presente da SALMONELLA em animais, pois ela era um patógeno humano. Agora ela literalmente bate e volta aumentando exponencialmente o risco de contágio. O Instituto de Medicina afirma que “o uso de antibióticos nos confinamentos de animais têm efeitos incontroláveis, servindo potencialmente para desenvolver e para disseminar resistência aos antibióticos.”
A coisa é tão séria que, lá nos EUA, metade de toda a produção de antibióticos fabricada anualmente vai para a criação de animais para o consumo humano. Opa! Perigo à vista: o sistema de criação no Brasil não é diferente!!!
O New England Journal of Medicine (Maio, 7, 1998) noticiou que uma cepa de Salmonella , chamada Tiphimurium DT 104, tornou-se resistente , nos últimos 5 anos a 5 diferentes tipos de antibióticos. E a proporção de suas infecções cresceu 30 vezes entre 1980 e 1996. Hoje, ela pode chegar a provocar 340000 casos de doenças por ano.
Agora a poderosa FDA (Food and Drug Administration) do Governo americano começa um esforço para regulamentar o uso de antibióticos na criação animal. Agora que o circo já pegou fogo... Os cientistas estão muito preocupados porque algumas bactérias nas galinhas se mostraram resistentes à mais recente classe de antibióticos desenvolvida (fluoroquinolonas), que eles acreditavam que seria eficaz por muitos anos. Resumindo, em bom português: o uso de antibióticos nos galpões avícolas e confinamentos já estão matando humanos em massa: serial killers!...
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