A criação de
avestruzes está se tecnificando a passos largos no Brasil. Já existe uma massa
crítica de especialistas bastante significativa nas áreas de manejo, nutrição,
incubação e sanidade. Os conhecimentos e novas tecnologias estão sendo
repassadas aos produtores através de congressos, simpósios, workshops
promovidos pelas entidades de classe, universidades e empresas.
Terminada a
fase do aventureirismo, o agronegócio começa a estruturar a cadeia produtiva a fim de ganhar escala de produção e
permitir o retorno do capital investido na atividade. Embora a fase atual ainda
seja de formação do plantel de reprodução, a mesma está embasada em um
maior rigor nas importações e as decisões são tomadas levando-se em conta os
dados de desempenho factíveis.
A legislação
específica, embora contenha pequenas falhas, permite a regularização dos
criatórios existentes e a implantação de novos empreendimentos dentro de critérios
técnicos bem definidos e com biosseguridade que garante a sanidade dos plantéis.
A observação
rigorosa das distâncias dos criatórios com as granjas avícolas, incubatórios,
fábricas de ração, abatedouros, estradas asfaltadas e outros criatórios de
avestruzes é fundamental para evitar a entrada e a disseminação de doenças.
Também é imprescindível que o programa de monitoria sanitária estabelecido
pela Instrução Normativa Conjunta nº 2 seja cumprido a fim de manter os
planteis livres de doenças, assegurando dessa maneira a produtividade das aves
nas diversas fases da criação.
Como o avestruz
é um animal pouco selecionado geneticamente, é fundamental que as
universidades brasileiras e outras instituições de pesquisa comecem a
trabalhar com essas aves afim de gerar informações tecnológicas que permitam
a viabilidade econômica da produção.
Além disso,
deve-se iniciar imediatamente um programa de registro genealógico e de
melhoramento genético a fim de evitar a consangüinidade dos animais existentes
no país.
Outros pontos
importantes são a definição de um programa de classificação de carcaças e
cortes, bem como o estabelecimento de legislação específica por parte do
DIPOA de um regulamento para o abate, inspeção e processamento de avestruz e
ema.
Além disso, é
necessário a definição de programas de qualidade na cadeia de produção, com
a implantação de programas de Boas Práticas de Produção (BPF) em criatórios,
incubatórios, fábricas de rações e abatedouros, bem como de programas de Análise
de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) nos abatedouros, culminando
com a implantação de rastreabilidade que englobe toda a cadeia produtiva.
Esses programas
servirão de base para a próxima fase que é a de abate, comercialização e
exportação de carne, couro e plumas. Com isso, a estrutiocultura terá escala
de produção e qualidade para entrar no mercado globalizado desses produtos,
com competitividade e eficiência.
Autor:
Ariel Antônio Mendes
Prof. Titular
da Unesp – Botucatu e Vice-Presidente Técnico Científico da UBA
Fonte: Revista Strutio & Cultura, Agosto/Setembro - Ano III ▪ Nº 2