Antigos e novos agricultores insistem que é impossível cultivar, qualquer cultura, sem o uso de agrotóxicos. Alguns concordam com a adubação orgânica mas não abrem mão do manejo com inseticidas, fungicidas, acaricidas e outros “cidas”.
Atenção: Não adianta fazer uma adubação orgânica e encher de “cidas” o solo ( o sufixo Cida significa: aniquilador, matador, assassino). Os agrotóxicos matam os microorganismos dos compostos tornando o solo pobre, sem condições biológicas de continuar a produção de nutrientes e tão pouco manter o equilíbrio ecológico.
Na natureza, muitos insetos possuem inimigos naturais, joaninhas atacam pulgões e cochonilhas, vespas os percevejos, besouros e passarinhos comem lesmas e caracóis..... e assim a vida continua.
Hoje é sabido que as plantas sinalizam, exalando álcool e amônia ou de outra forma, aos insetos para que sejam eliminadas. É a lei da natureza, os mais fracos têm de ser eliminados.
Qualquer que seja o ataque às suas plantas, apenas considere como uma praga, a ser eliminada ou repelida quando chega a ponto de prejudicar o canteiro. Você pode dar umas folhinhas para uma lagarta que, em troca, irá se deliciar com o vôo de uma borboleta.
Os ataques, que podem se tornar pragas, geralmente acontecem na primavera quando a natureza tem seu período de maior fertilidade e atividade.
Conhecendo o inimigo
Antes de utilizar qualquer tipo de controle, devemos aprender a diferenciar doenças, de pragas.
Doenças
Os agentes causadores de doenças nas plantas são seres microscópios divididos em três grandes grupos: fungos, bactérias e vírus. Esses agentes podem promover uma centena de males como as doenças fúngicas, o míldio, a podridão parda, entre outras.
Os fungos
Os fungos são microorganismos que atacam as plantas em todas as suas partes, fazendo-as definhar. A planta doente apresenta manchas nos caules e nas folhas.
A contaminação é propiciada por insetos sugadores que perfuram a planta em busca da seiva deixando a ferida exposta.
Sua disseminação é feita pelo ar, pelas ferramentas ou pelas mãos.
Bactérias
As bactérias provocam doenças graves às plantas como a podridão úmida.
Uma planta doente é facilmente identificada pelo amolecimento do caule e o mal cheiro que exala. Entretanto, é raro aparecer, pois a sua disseminação é feita através de uma planta doente que tenha sido usada para reprodução. No caso de uma de suas plantas estar contaminada, a disseminação será rápida e fatal para todo o canteiro.
IMPORTANTE: No caso de identificar a podridão úmida, a planta deve ser erradicada e queimada.
Vírus
Como diz o prof. Filgueira em seu livro ABC da olericultura: os vírus são seres que se situam entre a matéria inanimada e os seres vivos. São tão pequenos que um microscópio comum não é capaz de identifica-los. Porém são nocivos, viroses são as piores doenças que as plantas podem ter, fazendo-as murchar, amarelar e não crescer. Vão definhando, definhando até morrer.
Seu principal disseminador é o pulgão, que pica a planta doente, transmitindo e contaminando as plantas sadias.
Os vírus vivem no solo ou nas próprias plantas, a erradicação e controle são difíceis.
Não há como recuperar uma planta virótica, ela mesma deve se recuperar. O solo fértil com adubo orgânico e as adubações complementares devem ser suficientes para que a planta se recupere.
Em casos extremos em que a planta não consiga mais se recuperar, aconselha-se a sua erradicação para que não se torne hospedeira do mal.
Normalmente esses males surgem em plantações desnutridas. Se você seguir passo a passo os processos de adubação e tratamento do solo, estará fazendo a prevenção correta e eficiente para que suas plantas cresçam saudáveis e viçosas.
Pragas - Insetos
Como já disse, apenas considere pragas, quando ultrapassarem os limites... você vai perceber.
Existem dois grupos de insetos: os sugadores e os mastigadores.
Os sugadores se alimentam da seiva da planta deixando-as fracas e feridas, além de transmitirem as viroses. As plantas mais fracas ficam sujeitas às doenças. Os mastigadores devoram a plantas aos pedaços. Uma infestação de mastigadores, se não controlada, vai provocar muitos danos ao seu ervanário.
Sugadores
Existem outros insetos sugadores como tripés e cigarrinhas. No entanto, vamos nos concentrar nos principais.
Os mais conhecidos insetos sugadores são:
Pulgões
Parecendo mesmo pulgas, de cores variadas – marrons amarelos, verdes e pretos – vivem em colônias nos brotos e folhas novas, sugam continuadamente a planta enrugando e descolorindo as folhas. Secretam uma substância açucarada que propicia a fumagina, uma doença fúngica. Se não for erradicado, leva a planta à morte.
Cochonilhas
Pequenos insetos de cores variadas, mas, aparentam ser brancos. Reproduzem-se muito rapidamente formando colônias enormes em pouco tempo. Como os pulgões, sugam continuadamente diversas partes da planta e expelem também uma substância açucarada propiciando a contaminação por fungos. Também pode matar a planta.
Moscas Brancas
Pequenas mosquinhas de cor branca, também conhecidas como “piolho farinheiro”. Facilmente nota-se a infestação quando, ao esbarrar numa planta infestada, haverá a revoada. Suga continuadamente a planta e aloja-se por baixo das folhas. Como os amigos, também transmitem viroses, propiciando o aparecimento de doenças fúngicas e levam a planta à morte.
Percevejos
Bonitos e coloridos, parecem besourinhos, algumas espécies são também conhecidas por “maria fedida”, por exalarem um odor desagradável quando acuados.
Os percevejos picam as plantas para a sucção da seiva e injetam substâncias infectantes, deixando nos locais, manchas escuras. Alguns sugam as raízes mas a maioria ataca as folhas novas, brotos e botões. Prejudicam principalmente a floração e provocam o definhamento da planta, podendo matá-la.
Ácaros
Minúsculos aracnídeos que alojam-se na parte interior das folhas formando colônias que, a olho nu, parecem um pó preto. Algumas espécies tecem uma teia para proteger a colônia.
Sugadores vorazes, enfraquecem a planta, deviam nutrientes provocando deformidades como: superbrotação, galhas, diminuição da floração, entre outras.
Os ácaros atacam preferencialmente as plantas em vasos e floreiras e não gostam de umidade. Para evitar o seu aparecimento, borrife suas plantas regularmente com água.
Mastigadores
Assim como as sugadoras, existem outros tipos de insetos mastigadores, como: besouros, paquinhas, vaquinhas, grilos, gafanhotos, mas devem ser tratados especificamente. Caso haja infestação de alguns destes insetos, o que será muito difícil, será necessário buscar informações específicas.
Os mais conhecidos mastigadores são:
Lagarta
São a fase jovem de mariposas e borboletas. Por serem jovens elas devoram avidamente as plantas, precisam de alimento, estão em fase de crescimento. Facilmente identificadas, basta perceber as bordas das folhas cortadas. Algumas espécies s~são conhecidas como taturanas que no contato com apele causam irritação, ardor e provocam queimaduras. A infestação pode comer toda uma planta.
Lesmas e caracóis
Atacam a noite furando as folhas, caules e botões. Os passarinhos são seus predadores, mais um motivo para não usar agrotóxicos, pois podem matar os pássaros.
Formigas
Esta é uma categoria especial. Apesar de não serem mastigadores, agem como tais.
Devemos nos preocupar, principalmente com as cortedeiras, saúvas e quenquém, que são devastadoras em seus ataques.
As formigas cortam as folhas para serem levadas ao formigueiro e lá geram um fungo do qual se alimentam.
Tantos já foram os danos causados pelas formigas que inúmeras receitas foram testadas, chegando ao abstrato das simpatias e rezas.
Fonte: Carlos Torres – Ervas: Sabor e Saúde – Guia Orgânico Completo. Ed. Ondas