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Aquicultura no Brasil

Segundo o documento “Estado Mundial da Pesca e Aqüicultura em 2002” publicado pela FAO em 2003, a partir de 1970, a aqüicultura mundial vem apresentando índices médios anuais de crescimento de 9,2 %, comparados com apenas 1,4 % na pesca extrativa e 2,8 na produção de animais terrestres. A China permanece como o maior produtor, com 71 % do volume e cerca de 50 % em termos de valor.

O potencial do Brasil para o desenvolvimento da aqüicultura é imenso, constituído por 8.400 km de costa marítima, 5.500.000 hectares de reservatórios de águas doces, aproximadamente 12 % da água doce disponível no planeta, clima extremamente favorável para o crescimento dos organismos cultivados, terras disponíveis e ainda relativamente baratas na maior parte do país, mão-de-obra abundante e crescente demanda por pescado no mercado interno.

Embora as pesquisas voltadas para o cultivo de organismos aquáticos tenham se iniciado na década de 30 do século passado, as mesmas só foram intensificadas a partir de 1970.

A aqüicultura comercial brasileira se firmou como uma atividade econômica no cenário nacional da produção de alimentos a partir de 1990, época em que nossa produção de pescado cultivado girava em torno de 25.000 toneladas/ano.

Desde então, os diversos segmentos do setor (piscicultura, carcinicultura, malacocultura e outros) têm se desenvolvido de forma bastante acelerada, de tal forma que, em 2000, o Brasil produziu cerca de 150.000 toneladas de pescado via cultivo. Em 2001 estima-se que a produção tenha sido de aproximadamente 200.000 toneladas, chegando a 250.000 em 2002.

Das 150.000 toneladas produzidas em 2000, 25.000 foram de camarões marinhos da espécie Litopenaeus vannamei, 13.000 toneladas de mexilhões da espécie Perna perna, 2.000 toneladas de ostras das espécies Crassostrea gigas e Crassostrea rhizophorae, 1.600 toneladas de truta arco-íris e 108.400 toneladas de várias espécies de peixes tropicais, especialmente tilápias, carpas e algumas espécies nativas como o tambaqui (Colossoma macropomum), pacu (Piaractus mesopotamicus), surubim (Pseudoplatystoma coruscans) e outras. Os maiores índices de crescimento relativo tem sido observados na carcinicultura marinha, que gerou 40.000 toneladas em 2001 e 60.000 toneladas em 2002.

Nos últimos cinco anos a aqüicultura brasileira vem apresentando taxas de crescimento anuais médias superiores a 22 %. Alguns setores, como o da carcinicultura marinha e o da ostreicultura, chegaram a ampliar suas produções em mais de 50 % de 2000 para 2001.

Atualmente tanto os peixes como os moluscos produzidos nos cultivos estão sendo comercializados no mercado interno.No caso dos camarões marinhos, cerca de 30 % da produção é destinada ao mercado interno, enquanto 70 % é exportada para os Estados Unidos, França, Espanha, Itália e Holanda.

Merecem destaque entre as ações governamentais para apoio ao setor a abertura das águas de domínio da União para a exploração da aqüicultura mediante o Decreto nº 2.869, publicado em 1998, bem como o estabelecimento de uma linha de crédito específica para financiamento de empreendimentos aqüícolas em todo o país.

Analisando-se a situação atual, é possível observar algumas tendências para a aqüicultura brasileira num futuro próximo. Estas tendências incluem:

 

  • aumento substancial na produção de camarões marinhos
  • aumento na produção de moluscos, especialmente ostras e vieiras
  • aumento significativo na produção de peixes de água doce, especialmente das tilápias e de algumas espécies nativas
  • rápido desenvolvimento do cultivo em gaiolas ou tanques-redes nos reservatórios
  • aumento do uso de rações comerciais e diminuição dos cultivos realizados à base de estercos de animais terrestres
  • priorização de espécies autóctones nas bacias hidrográficas mais preservadas, tais como a Amazônica e a do Paraguai
  • maior atenção ao controle sanitário dos organismos aquáticos
  • maiores restrições relativas ao uso e contaminação das águas doces
  • maior uso de equipamentos utilizados em sistemas intensivos
  • maior dificuldade de introdução de novas espécies exóticas no país
  • mais atenção aos mercados externos e à exportação
  • aumento no número de produtos aqüícolas processados e com valor agregado

 

As maiores deficiências tecnológicas ainda residem no cultivo de vieiras e de peixes marinhos, áreas em que o país ainda está em fase embrionária. Outro fato que merece atenção é a relativa carência de mão-de-obra especializada para a atividade, tanto no setor público como na iniciativa privada.

Também a valorização dos produtos pesqueiros pelas suas qualidades nutricionais e para a preservação da saúde humana tem contribuído para um aumento na demanda pelos mesmos no mercado interno, que apresenta um elevado potencial de elasticidade se tivermos em mente que o consumo médio anual de pescado per capita é de apenas 6,8 kg/habitante.

Em 1998 o Brasil tinha 96.657 aqüicultores, que cultivavam 78.552 hectares de espelho d´água. Em 2001 estima-se que este número era de aproximadamente 128.000 produtores e que o aumento na área cultivada tenha sido da ordem de 40 % em relação a 1998. Com relação à produção de formas jovens, em 2000 a produção nacional foi de aproximadamente 4.000.000.000 de pós-larvas de camarões marinhos, 100.000.000 de alevinos de peixes de água doce e 10.000.000 de sementes de ostras e vieiras.

O valor da produção aqüícola brasileira em 2001 chegou a um total de US$ 256.800.000,00, com US$ 12.000.000,00 provenientes da malacocultura, US$ 160.000.000,00 da carcinicultura marinha, US$ 80.000.000,00 da piscicultura tropical e US$ 4.800.000,00 da truticultura.

Fonte: www.mercadodapesca.com.br



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