1º -SABER ONDE COLETAR: Não
colete plantas nas beiras de rios, córregos poluídos, esgotos, nem das margens
das estradas, porque geralmente estão contaminadas por fumaça dos carros,
pesticidas, etc. Hoje em dia, o melhor é desenvolver horta comunitária de
plantas medicinais e aí cultivar as plantas básicas de cada área, segundo a
pesquisa de dados (etnobotânica) realizada previamente.
2º - SABER COMO COLETAR: Quando
for coletar folhas de uma planta, não retire todas as folhas de um galho, é
através delas que a planta absorve os raios solares; despreze as folhas que
apresentem furadas por insetos, mofadas ou com outras contaminações. As cascas
devem ser retiradas em pequenos pedaços, apenas de um dos lados da planta, pois
ao se circundar o caule, pode causar a sua morte.
3º - SABER QUANDO COLETAR: As
melhores horas para efetuar a coleta são as da manhã, logo após a total secagem
do orvalho, e as horas do fim da tarde em dias ensolarados. Para as plantas
aromáticas recomenda-se a colheita do final da tarde, especialmente nas das
muito quentes, para evitar a evaporação de substâncias facilmente voláteis sob
ação do sol. Há diferença na época de colheita de uma espécie para outra; o
ideal seria um calendário de coleta de plantas que indicasse a estação propícia,
como ocorre com as verduras. Para muitas plantas, o momento propício para
coletar folhas, é quando começam a apontar os órgãos reprodutores, como os que
formarão brotos e flores.
4º - SABER COMO SECAR E
CONSERVAR : Flores e folhas, devem ser colocadas à sombra para secar em local
ventilado, limpo e em camadas finas, para evitar que somente as de cima fiquem
secas. Três a cinco dias são suficientes. Outro método é pendurar os galhos de
flores e folhas em um varal, até que sequem. As cascas, devem ser lavadas com
água corrente ligeiramente raspadas para retirar a superfície impregnada de
poeira, lodo ou insetos e depois devem ser colocadas ao sol para secar. Raízes,
devem ser lavadas e colocadas para secar. No caso de raízes muito grossas,
sugere-se cortá-las em rodelas em espessura de um dedo, após a lavagem e
colocá-las para secar. Sementes, devem ser colhidas de frutos maduros e sadios,
limpos por peneiração ou lavagem e secas ao sol. São as partes vegetais que
apresentam maior durabilidade.
Quando não se dispõe de
condições naturais de calor e vento, a secagem pode ser feita em estufa, em
temperatura não superior à 40o C. Após secas, as partes das plantas, deverão ser
reduzidas a pequenos pedaços, com exceção das sementes, e guardadas em vidro
limpo, seco, com tampa e ao abrigo da luz do sol, colando no frasco, uma
etiqueta com o nome da planta e data da coleta. É aconselhável observar sempre a
existência de mofo, contaminação por insetos, entre outros, o que as tornará
impróprias para o consumo. Sugere-se que o estoque seja renovado a cada três ou
seis meses.
5º - SABER A PARTE DA PLANTA A
SER UTILIZADA: É preciso conhecer a planta e saber quais as partes que são
utilizadas: raiz, entrecasca, folhas, planta inteira, frutos e sementes. Ex.:
Enquanto que o jerimum (Cucurbita pepo L.), usa-se as sementes, o quebra-pedra
(Phyllanthus niruri L.) usa-se a planta inteira.
6º - SABER COMO PREPARAR:
Existem diferentes métodos de preparar as plantas como remédios. Por exemplo:
Infusão, decocção, etc. Evite o uso de vasilhas de ferro, alumínio, cobre ou
plástico; dê preferência a vasilha de vidro (que possa ser levada ao fogo),
porcelana ou barro. É importante também saber a quantidade da planta a usar no
preparo.
7º - SABER COMO USAR: Esteja
atento da hora de usar as plantas, observando se a indicação é para uso interno
(ingestão), ou externo (uso local). Muitas plantas como o confrei (Symphytum
officinale L .) não devem ser ingeridas, somente usadas em aplicações como
cicatrizante .
8º - SABER QUANTO USAR: É
importante saber quanto se deve tomar de um remédio a base de plantas. Não se
pode abusar da dosagem. O dito popular “que a pancada grande é que mata a
cobra,” não deve ser seguido, pois as plantas tem efeitos adversos se forem
usadas muito concentradas ou por muito tempo. Um exemplo: uma jovem senhora
escutou falar que o olho da goiabeira era “bom para diarréia” e colocou 10
olhinhos para criança tomar. A dose muito forte resultou no óbito da mesma. O
uso das plantas medicinais é restrito a atenção primária; doenças crônicas como
diabetes, urolitíases, onde se usa por muito tempo as preparações, é importante
o acompanhamento médico e laboratorial.
9º - SABER DA TOXICIDADE DA
PLANTA: Uma planta pode ser ora medicinal, ora tóxica dependendo de quem toma,
de quanto toma, e como toma:
- as crianças e os idosos são
mais susceptíveis à intoxicação, por isso, deve-se ter muito mais cuidado com a
dose;
- deve-se evitar chás durante a
gestação; muitas plantas têm efeito abortivo e teratogênicos como o quebra pedra
(Phyllanthus niruri L.) , capim santo (Cymbopogon citratus DC Stapf ).
- deve-se evitar chás em
crianças que estejam em aleitamento materno até os 6 meses de idade.
Lembre-se também que existem
plantas, que mesmo em pequenas quantidades, são potencialmente venenosas como a
espirradeira (Nerium oleander L. ) e comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta
Schot ). É aconselhado tomar conhecimento de plantas tóxicas .
10 º - SABER IDENTIFICAR: Muito
cuidado quando se indica uma planta ou se passa uma receita num livro onde não
há o desenho ou o nome em latim, isto porque, pode haver uma grande confusão
pois o nome popular varia de um lugar para outro; exemplo: erva-cidreira que no
sul do país é conhecida como capim santo , aqui no nordeste é o Cymbopogon
citratus DC Stapf . Dê preferência a plantas frescas escolhidas corretamente de
locais de cultivo do próprio usuário; plantas secas somente devem ser usadas
quando for adquirida de fonte responsável e segura.
* informações obtidas, com algumas
modificações, do Boletim “De volta às Raízes”, publicação do Centro Nordestino de
Medicina Popular - Olinda - PE. Todos os Direitos Reservados.
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