Higiene é uma palavra sempre associada à limpeza e desinfecção de instalações e, no manejo de animais está mais ligada à prática de prevenção de transmissão de doenças, especialmente aquela de capacidade letal mais importante. Ou seja, faz-se a higiene das instalações muitas vezes por medo de que alguma doença mortal vá acometer os animais, levando a prejuízos importantes.
A higiene das instalações dos rebanhos suínos deve ser encarada como procedimento de manejo normal da granja, pois faz parte da estratégia de “quebrar” a cadeia de contaminação existente no sistema de produção.
Reconhecemos que lavagem e desinfecção de instalações é uma rotina tediosa e consumidora de tempo mas, reconhecemos também, que deve ser encarada como qualquer outra prática de manejo dentro da granja para que se obtenha bons resultados de produção.
Muitas vezes encontramos situações em que leitões desmamados são “empilhados” nas creches imediatamente à desmama, aumentando muito o risco de problemas com diarréias, doenças respiratórias, e mal desempenho. Nessas condições não estamos respeitando os fatores de risco associados às doenças e estamos expondo os animais a condições mais favoráveis ao surgimento das mesmas.
Um autor francês, muito conhecido no meio veterinário, Dr François Madec e alguns colaboradores conduziram uma avaliação na França para conhecer a contaminação residual nas creches, dentro de duas horas antes da entrada de novos animais desmamados.
As salas de creches haviam sido submetidas ao processo de higienização conforme as práticas normais de cada granja.
Os autores amostraram 129 salas de creche e usaram placas de agar (Rodac plates) com o meio de cultura proeminente de tal forma que eles pudessem pressioná-las no piso e nas divisórias que separavam as gaiolas, colhendo assim material para cultura em laboratório, em estufas de 37º.C, por 24 horas de onde foram, então, contadas as colônias formadas.
De 3045 placas, 18,4% foram negativas e 12,8% foram pesadamente contaminadas (>300'CFU's). O restante apresentou contaminações de graus variados e eles criaram uma classificação combinando seis (6) critérios de contaminação que levou em consideração inclusive uma lista de variáveis explanatórias. Essas variáveis foram apontadas pelos próprios granjeiros como as possíveis razões que eles tinham para explicar as contaminações encontradas em suas creches.
Com base nesses resultados eles encontraram uma lista de fatores de risco de contaminação e produziram uma série de recomendações para que isso fosse evitado e/ou minimizado:
Fonte: Madec, F. et alii., 1999. J.Vet. Méd. B46: 37-45.