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Rações do futuro: importância da nutrição de reprodutores e larvas em aqüicultura - Parte I

Introdução

A aqüicultura é o setor de produção de alimentos que mais cresce no mundo, principalmente em países em desenvolvimento, que produzem mais de 90% dos produtos de aqüicultura. Os países asiáticos como China, Índia, Indonésia, Japão, Bangladesh e Tailândia contribuíram com 83,3% da produção global em 2002 (Subasinghe, 2004). Ao contrário de sistemas terrestres de produção, o setor de aqüicultura é altamente diversificado, incluindo mais de 200 espécies diferentes, entre peixes, crustáceos, moluscos e algas.

Embora a maior parte dos sistemas de produção em aqüicultura seja relativamente simples, de baixo nível de investimento e sem importante utilização de rações formuladas, a aqüicultura comercial desempenha um importante papel na produção de espécies de alto valor de mercado. Muitas destas espécies de alto valor e uma proporção crescente das espécies de menor valor são parcial ou totalmente dependentes de rações formuladas para a satisfação de suas necessidades nutricionais ou para suplementação de alimentos naturais no sistema de produção.

Nas espécies em que estes desafios técnicos já foram superados, a produção da aqüicultura é influenciada, principalmente, por fatores externos, tais como surtos de doenças, questões ambientais e sociais, preços, demanda de mercado, disponibilidade e preços de matérias-primas e legislação. Estes fatores desempenham um crescente papel no setor de produção, uma vez que exportadores, produtores e fornecedores precisam enfrentar estas questões para manterem-se competitivos. Nas espécies dependentes de rações formuladas, as fábricas de ração enfrentam grandes dificuldades para atender à demanda por alimentos de alta qualidade e preço razoável, frente a contínuos aumentos de custos de ingredientes e matérias-primas, além da escassez e grande concorrência por matérias-primas.

Segurança de alimentos

O crescente comércio de produtos de aqüicultura os expôs aos padrões de segurança de alimentos que se aplicam nos países desenvolvidos, especialmente na Europa, que conta atualmente com um rigoroso programa de análises de alimentos (Ratcliff, 2003). A segurança dos produtos de aqüicultura pode ser comprometida por contaminação ambiental e problemas durante o processamento, comercialização ou preparação. Riscos de saúde pública decorrentes de produtos de aqüicultura também foram associados à presença de toxinas, bactérias, vírus e parasitas. Depois que as inúmeras crises receberam atenção da imprensa nos últimos anos, o consumidor está mais consciente quanto a aspectos relacionados à segurança dos alimentos fornecidos a animais de produção.

Atualmente, o consumidor preocupa-se com o impacto dos métodos de produção sobre a qualidade e a segurança dos alimentos, exigindo do produtor que implemente medidas que possam salvaguardar os sistemas de produção de potenciais fontes de contaminação. A indústria da aqüicultura, embora produza o que é geralmente considerado como um produto saudável, está sendo sujeita ao mesmo escrutínio, principalmente no que se refere à produção de espécies de alto valor para exportação. À medida que o mercado se expande e os consumidores e importadores introduzem novas demandas, produtores e exportadores estarão sob pressão para que se adaptem para cumpri-las.

Antibióticos

Inevitavelmente, surgiu a questão de que as rações utilizadas em aqüicultura possam ser uma fonte de antibióticos, alguns dos quais usados como promotores de crescimento, resultando em detecção de resíduos em produtos decorrentes de criação intensiva. Infelizmente, existem poucos antibióticos oficialmente aprovados para uso em peixes para consumo humano e poucos contam com níveis estabelecidos de resíduos. Dos antibióticos aprovados pelo FDA dos Estados Unidos, não existem produtos aprovados para uso em aqüicultura, apesar de serem aprovados para outros animais de produção.

Há uma intensa busca por alternativas seguras aos tratamentos com antibióticos e para os promotores de crescimento. Alguns produtos foram desenvolvidos como “imunoestimulantes” ou “imunomoduladores”, melhorando a saúde e estimulando as defesas naturais do organismo para conferir maior resistência de espécies aquáticas a doenças. Nesta classe, há vários produtos derivados de leveduras tais como os beta-Glucanos, Mananoligossacarídeos como BioMOS® (ou AquaMOS) e extratos de leveduras como NuPro®.

Muitas cepas bacterianas possuem receptores específicos de manose que aderem à superfície da célula para acelerar a colonização e promover maior patogenicidade. Foi demonstrado que BioMOS® é capaz de adsorver uma série de espécies bacterianas, evitando a colonização do intestino e facilitando sua excreção com as fezes. Bio-Mos também estimula a resistência inata a doenças em uma série de espécies de aqüicultura.

É importante salientar que nem todos os sacarídeos são iguais. Em uma palestra recente, Newman (2004) discutiu o campo emergente da glicômica – a caracterização e estrutura dos açúcares e como isto afeta sua função biológica – que procura compreender como diferenças relativamente pequenas nos tipos de ligações em um açúcar podem ter efeitos profundos sobre a atividade biológica dos compostos. Isto pode explicar por que, em um estudo recente (Roman, 1999) avaliando a eficácia de diferentes oligossacarídeos sobre a sobrevida de salmões após infecção pela síndrome da Rickettsia em salmonídeos, BioMOS® teve um desempenho superior quando comparado a um beta-Glucano e a uma fonte alternativa de manana.

Fontes alternativas de proteína

Atualmente, existe uma intensa busca por fontes alternativas de proteína para substituir a farinha de peixe, motivada pelos altos custos e pela preocupação ambiental com a depleição dos peixes usados para alimentação animal. Vários produtos de origem vegetal e animal já foram testados para a substituição parcial da farinha de peixe em dietas comerciais. O farelo de soja, por exemplo, é utilizado na maior parte das formulações comerciais como substituto parcial da farinha de peixe.

O aumento da proporção de materiais de origem vegetal nas dietas tem uma série de conseqüências nutricionais. A maior parte destas matérias-primas contém fósforo na forma de fitatos, o que o torna indisponível para os animais. Enzimas como a fitase (Allzyme® SSF) são adicionadas para aumentar a disponibilidade do fósforo em rações para espécies aquáticas (Eya e Lovell, 1997; Papatryphon et al., 1999; Sajjadi e Carter, 2004; Cruz-Suarez et al., 2003, 2004).

O tratamento enzimático com Allzyme VegPro também já foi utilizado para aumentar o valor nutricional do farelo de caroço de palma (PKM) em dietas para tilápias híbridas (Oreochromis sp.). O farelo de palma tem uma série de desvantagens devido ao baixo teor de proteína e alta concentração de polissacarídeos não-amiláceos (PNA).

Fonte: adaptado de Daniel Fegan, gerente técnico de Aqüicultura, Alltech Tailândia



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