Recém-descobertas pela indústria calçadista, as peles de animais exóticos — peixe, avestruz e rã — já estão presentes em até 32 milhões de pares, ou seja 5%, dos 640 milhões de pares produzidos no País. A informação é da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Além disso, a remuneração internacional pelos couros alternativos chega a ser até 257% superior à obtida pelo material bovino. No mercado externo, a cotação da peça de couro bovino está em torno de US$ 42, contra US$ 150 da de peixe. Segundo avaliação da Abicalçados, a utilização desse tipo de couro alternativo é fundamental para driblar a estagnação nas vendas do setor (leia reportagem ao lado).
De olho nessa nova tendência, a microempresa familiar de Manaus (AM), Green Obsession, está fazendo sucesso em todo o País com as sandálias femininas de couro de peixe e, até o final do ano, conquistará os pés de norte-americanas e italianas. Atualmente, a empresa produz entre 100 e 150 pares de sandálias femininas com couro de peixe — tambaqui, pescada, pirarara e surubim — e pretende ampliar ainda mais sua produção para atender aos pedidos do mercado externo, segundo o proprietário da Green Obsession, Aidson Ponciano. “Aumentaremos a produção de acordo com a demanda de matéria-prima — couro em peça —, que é escassa na região”. Em Manaus, segundo Ponciano, existem apenas dois curtumes dedicados ao processamento de pele de peixe. Além de sandálias, a empresa também fabrica bolsas e artefatos — porta-cartões e porta-níqueis — vendidos, principalmente, aos turistas que freqüentam o Estado do Amazonas.
Segundo Ponciano, a empresa possui capacidade de atender pedidos de todo o País. As sandálias da Green Obsession são vendidas entre R$130 (varejo) e R$ 90 (atacado). Em média, para a confecção dos sapatos, são utilizadas cerca de quatro peças de couro, que custam entre US$ 1,50 e US$ 3, dependendo da espécie e do tamanho do peixe. A fábrica de calçados, criada pelo ex-engenheiro civil Aidson Ponciano, fatura hoje entre R$ 9 mil e R$ 12 mil por mês. Ponciano começou a se dedicar à atividade como hobby, produzindo calçados exclusivos para a filha — que hoje, junto à mãe, desenha os novos modelos de calçados — e se tornou o negócio oficial da família toda. Além do couro de peixe, Ponciano também produz sapatos com couro sintético e com juta, uma fibra regional.
Avestruzes e rãs
A empresa Aravestruz, de Araçatuba (SP) que possui uma loja no Morumbi Shopping na capital paulista, vende atualmente 40 pares/mês, em média, revestidos pelo couro da ave exótica. Segundo o gerente da loja, Carlos Alves, desde a inauguração da loja, há menos de dois anos, a procura pelos calçados de couro de avestruz cresceu 80%.
Segundo o gerente, a procura cresce em razão da ‘popularização' do material junto ao mundo da moda. Os preços dos pares variam de R$ 250 a R$ 1.200 no caso de modelos femininos. Os modelos masculinos custam de R$ 550 a R$ 1.800. Por meio de uma parceria com a unidade regional do Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Cooperativa dos Ranicultores do Vale do Paraíba (CoorãVap) iniciou um projeto piloto de confecção de artigos com pele de rã. Até 2002, haviam sido desenvolvidos mais de 70 artigos.
Preço pago no mercado internacional chega a ser até 257% superior ao tradicional.
Recém-descobertas pela indústria calçadista, as peles de animais exóticos — peixe, avestruz e rã — já estão presentes em até 32 milhões de pares, ou seja 5%, dos 640 milhões de pares produzidos no País. A informação é da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Além disso, a remuneração internacional pelos exóticos chega a ser até 257% superior à do material bovino.
Fonte: Panorama Brasil /DCI