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OVINOCULTURA - ATENÇÃO AO ESCOLHER O ANIMAL

Não se sabe ao certo como e onde surgiram as primeiras civilizações, contudo, a domesticação dos animais foi fundamental para a sua prosperidade. Dentre estes animais, os ovinos merecem destaque pro figurarem entre os primeiros a serem domesticados pelo homem, vindo, talvez, somente depois do cão.

Acredita-se que a domesticação dos ovinos tenha tido se início na Ásia Central, pois existem indícios históricos de sua criação por pastores hebreus que antecedem a história escrita. Os estudos já realizados sugerem que os ovinos domésticos tenham tido sua origem a partir do Muflon, originário da Europa e Ásia, ou do Urial Asiático. Ambos se tratam de ovinos selvagens que têm chifres, cauda curta e corpo coberto mais por pelos do que por lã, o que sugere um processo de seleção antigo, até se chegar no ovinos doméstico (Ovis aries). Algumas espécies asiáticas assemelham-se a uma espécie na América do Norte, pela presença de grandes cornos, a Ovis canadensis, de chifres lisos e sem glândulas suborbitais. Na  América do Norte há ainda os ovinos das montanhas do México, da Califórnia e de outras regiões.

Os ovinos constituem uma subfamília de mamíferos da ordem dos artiodáctilos, família dos bovídeos, com um único gênero, Ovis, representado por grande número de espécies selvagens e por uma domesticada, Ovis aries (carneiros), à qual pertencem numerosas raças disseminadas por todo o mundo. No hemisfério norte e na áfrica ainda há ovinos selvagens de tipos variados, alguns confundíveis com espécies do gênero Capra (caprinos).

Algumas características, entretanto, distinguem dos caprinos, embora nem todas as estejam sempre presentes. Entre os caracteres diferenciais sobressaem os que a seguir se indicam:

- Os ovinos têm glândulas suborbitais, embora menos desenvolvidas do que nos antílopes e nos servídeos. Em algumas espécies ovinas, essas glândulas não existem, tal como nos caprinos.

- Os cornos, presentes em ambos os sexos, são, nos ovinos, de secção triangular, espiralados e ondulados no sentido transversal. Nos caprinos, têm secção ovalar, em geral são lisos e não espiralados. Mas há ovinos sem cornos nas fêmeas ou nos dois sexos.

- Os ovinos possuem, entre os dedos médios, profundamente implantada, bem desenvolvida e com abertura para o exterior, uma glândula (interdigital) que secreta um líquido untoso, de odor característico. Essa substância tinge as pedras e as ervas dos caminhos por onde passam os ovinos, e seu odor denuncia a presença desses animais na vizinhança às espécies dotadas de bom olfato.

- Ao contrário dos caprinos, os ovinos não apresentam odor forte, nem são dotados de tufos de pelos longos na região mentoniana (cavanhaque ou barba). Entretanto, há espécies ovinas com longos pêlos na região que vai da garganta ao peito.

- A presença de lã não é típica de todos os ovinos, mas ocorre na maioria das raças domésticas.

Ao adquirir um ovino, observe a cabeça, que deve ser forte e máscula nos machos. Procure evitar fêmeas com excesso de lã na cara e em volta dos olhos. Verifique também, a dentição do animal, que não deve possuir má formação ou falta de dentes.

O gradil torácico deve ser amplo, especialmente em raça para corte. Nas raças para lã, o velo deve ser denso, para senti-lo basta comprimir. Apalpe o escroto e certifique-se de que esteja em condições normais. Nas raças para lã, a barriga e as partes internas das coxas devem estar cobertas por lã. Examine os membros posteriores, que devem ser profundos. Depois, comprima o dorso e confira a sua amplitude. Comprima o tórax: nas raças de corte deve ser amplo.

Manejo geral
No dia a dia da ovinocultura, muitas atividades são realizadas, como alimentação dos a animais, limpeza das instalações, vermifugação, apara do casco dos animais, tosquia, etc.

Dependendo do piso onde os animais são criados, os seus cascos podem se gastar menos e assim apodrecerem ou crescerem tortos, causando dificuldades para o animal se locomover. O aparo dos cascos deve ser realizado duas vezes ao ano, ou quando for necessário. Os cascos podem ser cortados com canivete, faca, torquês ou tesouras apropriadas.

A lã que recobre o corpo dos ovinos é formada por uma fibra de comprimento médio e de diâmetro variável de acordo com a raça, com as condições fisiológicas do animal e ainda com as condições climáticas do meio em que o animal vive.

Um velo apresenta lã propriamente dita (fibra sem medula) lã semimedulada (fibra sem medula em toda sua extensão), lãs meduladas e pêlos (apresentam medula). A lã apresenta várias propriedades: espessura, comprimento, ondulação, resistência, rendimento, pureza, elasticidade, brilho, flexibilidade, cor, uniformidade, higrospicidade e suavidade. Sua classificação varia muito com sua qualidade.

Velos que apresentam muitos pelos e lãs meduladas trazem dificuldades ao serem trabalhadas na indústria, pois não absorvem as tintas e são ásperos, apresentando um baixo valor de mercado. Por isso na tosquia (conjunto de operações necessárias para a retirada da lã de ovinos lanados), é importante observar cinco aspectos desta operação para obter um velo de qualidade:

1 – Época – a tosquia ocorre uma vez por ano, e a maioria dos criadores tosquia seus animais no final do ano (novembro e dezembro).

2 – Sistemas – são vários os sistemas: tesoura manual, tesoura próprias para tosqui, martelo ou com máquinas elétricas.

3 – Cuidados anteriores – recolher os animais no dia anterior a tosquia para um lugar coberto; limpeza dos animais; separação do rebanho por categorias; preparar os equipamentos e o lugar da tosquia.

4 – Cuidados durante a tosquia – não recortar a lã, separar as partes de lã (perna e barriga). A tosquia deve ser realizada sobre piso de madeira ou de concreto.

5 – Cuidados posteriores – Cada velo deverá ser enrolado, com a parte que se encontra externa ao corpo do animal voltada para dentro, amarrado com fio de papel e acondicionado em bolsa de juta.

Curral de manejo facilita atividades
A pastagem é essencial na ovinocultura. Uma pastagem bem manejada é sinônimo de rentabilidade. O ovino apresenta um hábito de pastejo rente ao solo, e por isso são mais indicadas pastagens baixas. Algumas forrageiras indicadas para a alimentação de ovinos são: braquiárias, capim-colchão, aveia-perene, capim-pangola, capim de rhodes, azevém, capim gordura, trevo branco, entre outras.

A lotação de pastagens depende diretamente da qualidade do pasto. Em média, a lotação de animais por hectare varia de 4 a 8 cabeças, podendo esse número ser maior em pastagens artificiais. Por terem o hábito de caminhar muito, os ovinos precisam de cercas para delimitação de especo e para o controle do rebanho.

Para facilitar o manejo dos animais muitas vezes utiliza-se o curral de manejo onde estas práticas são executadas.

O curral de manejo é o local onde muitas atividades são realizadas, tais como: vermifugação de animais, pesagem, marcação, derrabagem, banhos carrapaticidas, entre outras. Por este motivo, sua localização deve ser bem planejada, para facilitar o acesso de todos os animais e dos funcionários. O curral é formado de baias que se ligam para facilitar a condução dos animais. Pelo pouco tempo de permanência dos ovinos no curral, este deve ser dimensionado em 0,5m2 para ovinos de tamanho médio, e, 1m2 para animais de grande porte. 

A melhor genética
Na criação animal, a reprodução representa uma fase que requer grande atenção, pois a partir dela o rebanho cresce em quantidade e qualidade quando os acasalamentos são bem direcionados.

Desde a escolha dos animais para a reprodução até a gestação, o criador deve seguir alguns cuidados que podem ser determinantes para o desenvolvimento da criação. Essas atividades deve ser seguidas de perto pelo criador ou tratador para garantir a eficiência reprodutiva do rebanho.

Escolha dos reprodutores.
O reprodutor é parte fundamental desta etapa da criação e antes de o animal entrar na estação reprodutiva, algumas características devem ser observadas: presença de testículos simétricos e firmes dentro da bolsa escrotal; ausência de alterações penianas e prepuciais; boa libido; ausência de doenças e não possuir prognatismo ou agnatismo. As fêmeas também desempenham papel importantíssimo nesta fase e, ao entrarem na puberdade, devem ser observadas algumas características para garantir o seu bom desempenho: úbere bem inserido; bons cascos e aprumos, aspecto feminino; ausência de doenças e histórico negativo de aborto.

Puberdade e ciclo estral
A puberdade é a fase em que os testículos começam a produzir espermatozóides e os ovários iniciam a liberação dos óvulos (primeiro cio das fêmeas). A puberdade nas fêmeas se manifesta quando ela atinge mais ou menos seis meses de idade, o que pode ser muito cedo para a sua primeira cobertura, por este motivo alguns criadores esperam o animal completar 1 ano de idade, ou apresentar 60% a 70% dos seu peso vivo adulto. Os ovinos são animais poliéstricos estacionais, apresentando vários cios (a cada 21 dias) sem uma determinada época do ano (final do verão e outono – sendo assim considerado um animal de dia curto).

O ciclo estral é dividido em quatro fases: proestro, estro, metaestro e diestro. Em todas as fases, o animal sofre modificações no seu comportamento e aparelho reprodutivo. A fase mais importante para o criador é o estro (cio), que tem duração de 12 a 96 horas, ocorrendo a ovulação (liberação do óvulo) na fase final. Somente no estro deverão ser realizadas as coberturas e inseminações. Os sintomas de cio comumente observados são: a fêmea abana a cauda, presença de muco vaginal, vulva apresenta-se inchada, animais ficam inquietos, berram, sobem umas nas outras e aceitam a monta.

Relação macho-fêmea e horário de monta
A relação macho-fêmea irá depender do tipo de monta ser realizada: monta a campo – 1:25, monta controlada – 1:35; com a utilização de inseminação artificial (IA), o aproveitamento dos machos pode ser bem maior, podendo em uma única ejaculação ter a produção de 10 até 40 doses de sêmen. Normalmente o horário da cobertura dos animais está relacionado com o horário da identificação do cio; se o cio for identificado pela manhã, a cobertura ou a IA deve ser realizada durante à tarde do mesmo dia; se o cio for identificado na parte da tarde, a cobertura ou a IA deverá ser realizada na manhã do dia seguinte.

Sincronização de cio
Devido a estacionalidade reprodutiva dos ovinos, é recomendável a utilização de um programa de sincronização de cio, como atividade de biotecnologia reprodutiva, ou para que este ocorra em épocas favoráveis e bem distribuídas ao longo do ano.

Exigências Nutricionais são Variadas
Os ovinos são pequenos ruminantes, apresentam o estômago dividido em quatro compartimentos e, por este motivo, adquirem grande capacidade de aproveitamento de alimentos fibrosos como capins, leguminosas, fenos, palhas e outros resíduos agroindustriais.

Entende-se por ração, a quantidade de alimento fornecida ao animal durante um período de 24 horas. A ração é formada por alimentos volumosos (alto teor de fibras), como pastos, fenos e silagens; e, alimentos concentrados (baixo teor de fibra), como  o milho, a soja, o trigo e as misturas comerciais ou feitas nas propriedades.

Hábito alimentar e forrageiras
Os ovinos apresentam hábitos alimentares característicos, diferentes de outros ruminantes. Pastejam preferencialmente gramíneas, promovendo o corte uniforme e baixo na vegetação, sendo mais adequada a utilização de pastagens de porte baixo. Devido a este hábito, as forrageiras mais indicadas são as de porte baixo ou forrageiras de porte alto manejadas baixas.

Exigências básicas
As exigências nutricionais (proteína, energia, vitaminas e minerais) dos ovinos podem variar de acordo com vários fatores, sendo alguns deles: raça do animal, categoria do animal e o estado fisiológico em que o animal se encontra.

As raças mais precoces tendem a apresentar exig6encias nutricionais mais elevadas. Em ovinos observa-se que as raças produtoras de carne tendem a apresentar maiores exigências nutricionais do que as raças produtoras de lã ou mistas.

Alimentação na mantença
O período de mantença ou manutenção é aquele em que o peso vivo do animal permanece constante, da mesma forma que suas reservas corporais, em zonas de conforto térmico. Os gastos de mantença correspondem às necessidades específicas para simples manutenção das funções vitais. Animais em mantença podem ter suas necessidades nutricionais atendidas por uma forrageira de boa qualidade.

Alimentação das fêmeas durante a gestação e a lactação
No terço final da gestação ocorre o maior crescimento fetal, e, por este motivo, as necessidades nutricionais das gestantes aumentam muito. Nos últimos 45 dias de gestação, recomenda-se a utilização de forrageiras com menor teor de umidade e concentrados com maiores teores de energia, ou um piquete com forrageiras cultivadas, de elevado valor nutricional. Nas primeiras 2-3 semanas após o parto, as necessidades nutricionais das ovelhas são as mais elevadas de todo o ciclo produtivo, pois neste período o desenvolvimento do cordeiro depende exclusivamente do leite produzido pela mãe. Após 30 45 dias de amamentação, deve-se diminuir gradativamente a ração para facilitar a secagem do leite no momento do desmame, e evitar a mastite.

Alimentação dos recém nascidos
É de fundamental importância a ingestão de colostro nas duas primeiras horas de vida dos cordeiros, período de maior absorção das imunoglobulinas (anticorpos). Nas duas primeiras semanas de vida, os cordeiros alimentam-se exclusivamente de leite e no início da terceira semana os animais devem começar a ingerir alimentos sólidos para um bom desenvolvimento. Os cordeiros desmamados precocemente devem ser alimentados com volumosos de alta qualidade e devem receber concentrado com 18 a 20% de proteína.

Alimentação de machos adultos
Fora da estação de monta uma forrageira de boa qualidade pode suprir as exigências dos machos adultos. Entretanto, antes e durante a estação de monta, esses animais precisam ser suplementados devido ao aumento das atividades do animal, recebendo muitas vezes um pouco de concentrado para atender as suas exigências. 

Por: Miro Negrini
Fonte: Revista Escala Rural – ano V – nº 34

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