Qualquer tecnologia que seja introduzida no sistema produtivo e que venha maximizar a produção, seja aumentando a produtividade do rebanho ou reduzindo gastos, deve ser implementada sempre que os ganhos superem os investimentos empregados. Neste contexto, as técnicas de diagnóstico de prenhez e de quantificação fetal em pequenos ruminantes devem ser incorporadas rapidamente aos sistemas de produção de carne.
O diagnóstico precoce de prenhez traduz-se como uma técnica de manejo reprodutivo de extrema importância econômica, ao favorecer o descarte de animais improdutivos. Com isso, contribui para reduzir os custos de produção e melhorar o manejo do rebanho, possibilitando o uso de suporte nutricional diferenciado às fêmeas diagnosticadas prenhes, dando a essas a oportunidade de um tratamento adequado em relação à nutrição, à saúde e ao manejo em geral.
Com o uso do diagnóstico de prenhez, pode-se evitar perdas econômicas pelo abate de fêmeas prenhes ou inclusão delas em programas de sincronização do estro e superovulação. Possibilita, ainda, agregar valor aos animais destinado à venda, onde as fêmeas comprovadamente prenhes podem ser vendidas por um preço diferenciado das não gestantes.
Quanto à quantificação fetal, é possível fazer uso dos resultados da avaliação para maximizar a produção. Isto porque a formação de grupos de fêmeas a partir da determinação do número de fetos numa determinada prenhez, permite que as fêmeas com gestações gemelares e que por conseguinte, mais exigentes nutricionalmente e mais sensíveis ao estresss, possam receber um tratamento diferenciado. Assim, fêmeas com prenhez gemelar, as quais normalmente seriam tratadas sob as mesmas condições das demais fêmeas do rebanho, correndo o risco de entrarem em balanço genético negativo devido à maior demanda dos fetos por nutrientes, poderão receber um manejo adequado. O manejo diferenciado proporciona um maior peso das crias ao nascer, maior taxa de sobrevivência das mães e das crias ao parto, com aparecimento precoce do primeiro cio e um bom estado sanitário da fêmea.
Um teste de diagnóstico precoce de prenhez deve reunir o máximo de critérios de satisfação com a sensibilidade, a acurácia, a segurança, a simplicidade e o baixo custo. Dentre as técnicas para o diagnóstico de prenhez e de quantificação fetal, a ultra-sonografia em tempo real tem sido o método mais empregado, diante de suas vantagens de permitir uma visualização não invasiva da anatomia interna dos órgãos reprodutivos e do feto, podendo atestar sua viabilidade e, em acréscimo, permitir a detecção de patologias uterinas e ovarianas e o monitoramento ovariano.
O diagnóstico de prenhez por ultra-som atinge alta acurácia a partir do 25º dia da prenhez, sendo a quantificação fetal melhor realizada entre os dias 35 e 45 da prenhez.
O custo de aquisição de uma aparelho de ultra-som é alto, mas o capital investido tem retorno alto, diante da alta aplicabilidade da técnica como ferramenta e tomada de decisão nas práticas de manejo reprodutivo na unidade de produção. Dessa forma, é salutar seu uso na rotina das fazendas de produção de carne, possibilitando um melhor aproveitamento do capital investido com a alimentação dos animais.
A influência da condição
corporal no desempenho das fêmeas
Esperar uma reposta positiva à estação de monta, traduzida por concepção
de fêmeas, sem tê-las submetido antes a uma avaliação, é trabalhar sem
compromisso com resultados.
Portanto, deve-se avaliar as fêmeas nas três a quatro semanas que antecedem a estação de monta e, imediatamente antes de seu início, observando a saúde do animal quanto aos aspectos clínicos, genéticos, reprodutivos e nutricionais. Este último assume uma importância crucial, pois interfere no estado sanitário, pois os animais subnutridos são mais suscetíveis às enfermidades.
A avaliação do estado nutricional do animal pode ser feita de uma forma menos subjetiva. Este método consiste em atribuir um escore, numa escala de um a cinco, de acordo com o grau de depósito de gordura corpórea. O sucesso da avaliação depende, primariamente, de uma clara e precisa descrição de certas características físicas identificáveis nos animais em diferentes graus de gordura. Essas características são basicamente tomadas na região lombar, sobre e ao redor da coluna na área do lombo, imediatamente atrás da última costela e acima dos rins.
A condição corporal das fêmeas à estação de monta afeta diretamente a porcentagem de partos múltiplos. Fêmeas com escore corporal 3,0 ao início da estação de monta, obtêm maior taxa de ovulação e concepção o que representará maior prolificidade. Esse resultado possibilita incrementar a evolução do rebanho na propriedade em 5,0% a 20,0%. Vale lembrar que a importância dada à condição corporal independe do método de fecundação utilizado, ou seja, se cobertura ou inseminação artificial. Com isso, é recomendado ajustar o escore corporal das matrizes para 3,0 ao início da estação de monta ou de um programa de inseminação artificial.
O escore mínimo recomendável à avaliação, três a quatro semanas antes do início da estação de monta, deve ser de 2,0 devendo as fêmeas serem submetidas a uma suplementação nutricional, de forma que se encontrem em ganho de peso positivo no transcorrer do período da estação de monta.
Não se deve incluir na estação de monta, fêmeas com escore superior a 4,0 pois o excesso de gordura poderá influir negativamente na fertilidade ao parto.
Aprender a fazer a mensuração da condição corporal e incorporá-la na rotina da fazenda é uma medida estratégica para alavancar a produtividade do rebanho. Com sua utilização, é possível reduzir o número de fêmeas falhadas, o que representará redução de custos com mão-de-obra à estação de monta; com doses de sêmen necessárias para fecundar uma fêmea e melhor uso do reprodutor na propriedade, podendo este, servir a um maior número de fêmeas.
É bom ressaltar ainda que a condição corporal além de ser parâmetro de avaliação de fêmeas na reprodução, deve também, ser utilizada para melhorar o estado nutricional das fêmeas no terço final da prenhez, ao parto e na amamentação, para que a matriz se encontre sempre em um balanço nutricional positivo, de forma a garanti um bom desenvolvimento fetal., um parto sem problemas, sem retenção da placenta, e, um bom desenvolvimento da cria até o desmame.
Neste contexto, para o incremento dos índices reprodutivos e produtivos do rebanho, vê-se a avaliação da condição corporal das fêmeas como uma prática necessária na rotina da propriedade.
Por: Hévila Oliveira
Salles
Fonte: Revista Escala Rural – ano V – nº 34