A EMBRAPA Pecuária Sul apresenta alternativas viáveis de gerar trabalho e renda para homens e mulheres do campo.
O trabalho desenvolvido pela unidade de pesquisas de Bagé (RS), a Embrapa Pecuária Sul, ligado às ações do projeto de uso e conservação da Ovelha Crioula, sob a coordenação da pesquisadora Clara Luiz Vaz, vem reunindo, nos últimos anos, vários produtores de localidades distintas do RS para participarem de cursos e oficinas que os capacitam a curtir peles ovinas.
Para Clara Vaz, o método de curtimento, que possui cinco etapas, mais utilizado está alicerçado em sais de cromo, que conferem maior elasticidade e maciez ao pelego, além de ser um produto facilmente encontrado no mercado. Entretanto, ela explica que de nada adianta bons métodos de curtimento se a pele não for cuidada desde a eleição do ovino para abate.
“O ovino não deve ser abatido cansado ou ferido, pois os animais nestas condições tendem a produzir pele sem brilho e com queda de lã. A sangria deve ser completa. As peles de animais mortos no campo e secas ao sol, embora com boa aparência, devem ser descartadas, pois apresentarão danos irreversíveis na qualidade do pelego”, enfatiza Clara Vaz.
A pesquisadora diz ainda que a decomposição da pele ovina, pela sua estrutura, começa aproximadamente três minutos após o sacrifício do animal, sendo retardada nas peles entendidas, o que exige providências imediatas que começam pela adequação do local e especialização do trabalho para a obtenção de qualidade do produto final.
Quanto à possibilidade de agregar valor ao subproduto ovino, Clara Vaz fala que o criador de ovinos pode obter melhorias em sua renda mensal, decorrentes do curtimento artesanal, em vez de comercializar o pelego “in-natura”. No curtimento artesanal, emprega-se um pequeno número de substâncias químicas ou vegetais utilizadas em quantidades reduzidas, além de equipamentos adaptados na propriedade rural. “A pele curtida pelo processo artesanal tem boa aceitação no mercado e o custo de curtimento equivale a oito vezes o preço da matéria prima bruta, enquanto o valor de mercado da pele curtida vale 16,7 vezes”, finalizou Clara Vaz.
Fonte: Revista Almanaque Rural – Caprinos e Ovinos – Editora Escala – nº 06 – março 2005.