O maior desafio da pecuária de corte brasileira é a produção de animais precoces com carne de alta qualidade. O desejo de consumo, expressado pelo consumidor nas gôndolas dos supermercados, está manifestado na sua preferência pelas carnes macias, de coloração rosada e com pouca gordura, oriunda de animais jovens, criados em pastagens e rastreados. O produtor que interagir neste sistema terá o seu produto brindado pela preferência dos consumidores mais exigentes, beneficiando-se entre outros aspectos pelo giro de capital mais rápido.
Entre as espécies de ruminantes criados pelo homem para produção de carne, os ovinos e caprinos são os que apresentam o menor intervalo de tempo entre o nascimento e o abate. No mundo inteiro, a carne destes pequenos ruminantes é considerada como uma iguaria, apreciada e valorizada e, por esse motivo, alcançam preços superiores às demais carnes, como pode ser visto a seguir:
Preços alcançados no mercado internacional pela carne ovina (US$ / ton):
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Ovino adulto
Argentina - ---
Nova Zelândia - 800
Austrália - 500
EUA - ---
União Européia - ---
Cordeiro
Argentina - 1.700
Nova Zelândia - 1.700
Austrália - 1.700
EUA - 3.800
União Européia - 4.500
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Fonte: Perez, 2002.
No Brasil, o preço no varejo alcançado pela carne de cordeiro, ultrapassa com freqüência o valor de R$100,00 a arroba, enquanto a carne de animais adultos oscila entre R$70,00 e R$80,00 a arroba. Devido a este diferencial no preço, os esforços das entidades de pesquisa e de assistência técnica no Brasil estão voltados para o desenvolvimento de tecnologias que possibilitem a produção de animais precoces, prontos para abate aos seis meses de idade e capazes de alcançar no mercado uma melhor remuneração.
A carne caprina, por sua vez, tem uma menor aceitação no mercado brasileiro, apesar do seu grande potencial de consumo, principalmente devido às suas características peculiares. Sem perder em sabor é, comparativamente, mais magra do que outras carnes vermelhas, e é mais nutritiva do que a carne de aves.
As características nutricionais de diversas carnes podem ser comparadas a seguir:
Para cada 100g de carne assada:
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Caprina
Proteína - 25 g
Calorias - 131 kcal
Gordura - 2,76 g
Gordura saturada - 0,85 g
Ferro - 3,54 g
Ovina
Proteína - 24 g
Calorias - 252 kcal
Gordura - 17,14 g
Gordura saturada - 7,82 g
Ferro - 1,50 g
Bovina
Proteína - 25 g
Calorias - 263 kcal
Gordura - 17,14 g
Gordura saturada - 7,29 g
Ferro - 3,11 g
Suína
Proteína - 24 g
Calorias - 332 kcal
Gordura - 25,72 g
Gordura saturada. - 9,32 g
Ferro - 2,90 g
Frango sem pele
Proteína - 25 g
Calorias - 129 kcal
Gordura - 3,75 g
Gordura saturada - 1,07 g
Ferro - 1,61 g
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Fonte: Dairy Goat Journal, jan/fev 1996.
Além da carne, existem os subprodutos que são aproveitados comercialmente, em especial a lã nos ovinos e a pele nos ovinos deslanados e dos caprinos. Por todos esses motivos a criação de ovinos e caprinos tem alcançando uma posição de destaque e é crescente o interesse nos últimos anos na criação destes animais.
Os ovinos e caprinos são criados em todos os estados do país. Os maiores efetivos ovinos estão no Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Piauí. Já o rebanho caprino está concentrado na Bahia, Piauí e Pernambuco. Em função do baixo preço da lã na última década, as raças produtoras de lã tiveram uma diminuição acentuada, passando o efetivo ovino do Rio Grande do Sul de 12 milhões para 3,7 milhões de cabeças. Aliado à redução na produção de lã, houve um incremento dos ovinos produtores de carne, sendo hoje estimados em torno de 30% do rebanho gaúcho.
Apesar do crescimento no número de cabeças de ovinos, o rebanho brasileiro não consegue abastecer o mercado interno, abrindo espaço para a importação de carne, de carcaças e animais vivos. Entre 1992 e 2000 a importação de ovinos vivos para abate passou de 119 ton. para mais de 6.200 ton. anuais, segundo dados do Ministério de Indústria e Comércio citados por Silva (2002). O mesmo autor também demonstra o aumento na importação de carcaças de ovinos no mesmo período, passando de 2.230 ton. para quase 8.500 ton. anuais. No ano de 2000 o Brasil importou 15 milhões de dólares em peles de ovinos e caprinos para processamento na indústria de couros e calçados.
Portanto, apesar dos ovinos serem uma tradição no sul como uma criação extensiva, e no nordeste, como uma atividade de subsistência, a produção brasileira não tem conseguido atender à sua demanda interna, tanto em produtos ovinos como em caprinos.
Um manejo reprodutivo e sanitário adequados associado aos princípios básicos na criação destes animais possibilitará o uso mais eficiente dos recursos forrageiros disponíveis, transformando a ovino-caprinocultura em uma alternativa de renda viável para os produtores rurais.
Fonte: http://www.caroata.com.br/asp/materiatecnica.asp