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As estratégias para engorda de peixes

As estratégias para engorda de peixes, variam de simples manejo, com pouco controle sobre a qualidade da água, até técnicas complexas, onde o controle da água é total, bem como a qualidade do alimento artificial administrado.

Oito níveis de manejo serão descritos a seguir. Qualquer um dos níveis poderá ser o mais apropriado segundo a infra-estrutura existente, disponibilidade de capital, custo e qualidade dos nutrientes disponíveis, valor de mercado do peixe, planejamento estratégico, pretensão do investidor, etc.

Geralmente uma operação comercial de pequena escala opera com o nível 2 e operações comerciais de larga escala operam com variantes dos níveis 3 a 8.

Nível 1 - Extensivo - Densidade de estocagem de 1.000 a 2.000 peixes/ ha com alimentação natural, proveniente de nutrientes disponíveis no próprio solo. Produtividades variam de 200 a 500 kg/ha/safra.O cultivo só será viável se os custos com o terreno e a construção dos tanques forem muito baixos, ou se os mesmos já existirem.

Nível 2 - Semi-intensivo - Cultivo em tanques que podem ser cheios ou drenados quando for preciso. Fertilização orgânica ou inorgânica e complementação alimentar com subproduto da propriedade. O abastecimento de nutriente orgânico ( esterco + alimentação)kvaria de 30 a 50 kg de peso seco/dia e, a utilização de 500 a 2.000 galinhas ou patos, ou a 50 a 100 suínos por hectare, é recomendado. Os menores valores são para as águas paradas e os maiores para tanques com trocas de 5 a 10 % dia. As taxas de estocagem no caso de tilápias, vão de 5.000 a 20.000 peixes /ha e as produtividades variam de 2.000 a 6.000 kg/ha/safra, para tanques somente estercados, e de 4.000 a 8.000 kg/safra, em tanques fertilizados e abastecidos com subprodutos agrícolas. Os ciclos são de pelo menos 6 meses.

Nível 3 - Intensivo com aeração de emergência - Cultivo em tanque, na qual a água que entra e sai pode ser controlada. As taxas de estocagem vão de 10.000 a 30.000 /ha (tilápias). Os peixes são alimentados com rações de boa qualidade na taxa de 2 a 4 % da biomassa dia, com ofertas máximas de 80 a 120 kg/há/dia. A aeração não é utilizada constantemente, apenas em momentos críticos para restabelecer os níveis de oxigênio desejado. As produtividades variam de 5.000 a 10.000 kg/ha/safra.

Nível 4- Intensiva com aeração constante e sem troca de água - Estocagem e manejo como a do nível 3, acompanhado de aeração constante e nenhuma troca de água. As produtividades variam de 8.000 kg a 15.000 kg/ha/safra.

Nível 5 - Intensiva com aeração constante e troca de água - As unidades de cultivo são pequenas, os tanques de terra são circulares ou retangulares com no máximo um hectare ou podem ser de concretos, na forma circular com dreno central, variando de 100 a 400 m2 . As densidades de estocagem variam de 5 a 10/m2 e os peixes são alimentados com ração completa de boa qualidade. A aeração é continua para manter o O.D. em níveis elevados e provocar um fluxo que leve os dejetos para o esgoto central. As produtividades variam 20.000 a 30.000/kg/ha/safra; dependendo principalmente, da quantidade de água que é trocada. O mesmo sistema, em tanques impermeabilizados com mantas de PVC, podem atingir produções de 50.000 kg/ha/safra.

Nível 6 - Troca de água contínua - Raceways - As unidades de produção são pequenas (100 a 400 m2 ), de concreto, retangulares ou circulares e com dreno central. Machos de tilápias são estocados de 70 a 120/m3 e são alimentados com ração completa.Trocas completas de água são feitas de 1 a 3 vezes por hora. Uma fonte de abastecimento por gravidade, torna a operação economicamente mais interessante. A produtividade pode variar de 70 a 200 kg/m3 /safra.

Nível 7 - Tanques redes ou gaiolas - Tanques redes são utilizados em lagos, reservatórios, rios de pequeno fluxo ou oceanos, com estocagem variando de 50 a 500 peixes /m3 . As produtividades variam de 50 a 300 kg/m3 .

Nível 8 - Reutilização da água - A maioria dos sistemas que reutilizam a água, funcionam em sistemas fechados, de modo que os parâmetros físico-químicos e biológicos possam ser controlados de perto.A temperatura é controlada, é fornecido oxigênio puro e os dejetos dos peixes e alimentação são retirados por meios mecânicos e/ou biológicos, com trocas de água que variam de 5 a 10 %/dia. Sistema de alto risco, pois defeitos mecânicos podem colocar em risco toda a atividade.Produtividade depende da técnica empregada e espécie criada, variando as produções de 10 a 40 kg/m3 .

Autores:
Wagner Camis - zootecnista
Jorge Meneses - biólogo
Fonte: http://www.fazendeiro.com.br/piscicultura/Cadernos.asp?caderno=154#



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