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Tilápia - Nado a favor da correnteza

A tilápia é a segunda espécie mais cultivada no planeta e a mais produzida em cativeiro no país

Segunda espécie de peixe mais cultivada no planeta, a tilápia é a mais produzida em cativeiro no Brasil. É resistente a doenças,ao superpovoamento e ao pouco oxigênio dissolvido na água. Possui uma carne saborosa e de baixo teor de gordura, na proporção de 0,9 gramas para um pedaço de 100 gramas. O rendimento do filé do peixe chega a 40%. A criação de tilápia faz parte da aqüicultura, um dos setores mais promissores da economia nacional. A oferta da espécie não consegue atender à demanda e as exportações são um dos principais destinos da produção. Os Estados Unidos são os maiores compradores de filé de tilápia brasileira.

Nos últimos anos, a atividade de cultivo de peixes e crustáceos em água doce e marinha – aqüicultura – tem crescido com elevadas taxas no Brasil. A produção registra desde 1995, um aumento acumulado de mais de 600%. Não existem dados oficiais sobre o mercado nacional, mas as estimativas indicam que ultrapassa o patamar de 70 mil toneladas por ano. O vale do São Francisco é um dos locais que expande com velocidade a criação de peixes. “A grande alavanca do setor está no Nordeste, especialmente no interior da Bahia, devido ao clima quente apropriado à produção”, informa Carlos Roberto Floriani, presidente da Abtilápia – Associação Brasileira da Indústria de Processamento de Tilápia.

Existem vários produtores no Brasil, desde profissionais até aqueles que exercem a criação como uma segunda atividade ou ainda de forma amadora,como uma extensão de um sítio. Estimativas do mercado indicam que metade dos cerca de 1,5 mil criadores de peixe, somente no estado de São Paulo, é de tilápia.

Há espaço para o pequeno criador,que tem a intenção de aumentar a renda, mas para a atividade ser lucrativa é necessário investimento em tecnologia, avisa Floriani.

Para iniciar o cultivo de tilápias, há centenas de piscicultores espalhados pelo Brasil que mantêm reprodutores e vendem alevinos – filhotes com, no mínimo 1,5 cm de tamanho e um grama de peso. Fornecem para criadores que planejam realizar a engorda de peixes. No mercado, o milheiro de alevinos de tilápia pode ser comprado por cerca de 100 reais, embalado em sacos plásticos e com oxigênio dentro, de acordo com informações de Jorge Meneses, presidente da Abracoa – Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos.

Quando atingem esse estágio, os alevinos de tilápia já passaram pelo processo de reversão sexual.Trata-se de uma técnica delicada que mistura hormônio masculino com a ração para alimentar os alevinos. Tem como finalidade transformar fêmeas em machos,os quais apresentam crescimento 2,5 vezes maior. Depois de 30 a 40 dias, os filhotes podem ser vendidos. Os alevinos são enviados a qualquer lugar do Brasil, por meio de transporte, sem restrição.

Além da carne, outro subproduto da tilápia com valor comercial é a pele. Por meio de um processo de curtimento é transformada em um couro muito valorizado, principalmente no mercado internacional. “Atualmente, um metro quadrado de couro de peixe é vendido por 70 dólares, diz Jorge Meneses, da Abracoa. A carcaça, as vísceras, o rabo e as escamas da tilápia também podem ser utilizadas como alimento para alguns tipos de peixes, além de porcos, aves e outros animais, e como adubo para a agricultura.

Semi-intensivo exige pouco investimento
Existem quatro sistemas para cultivar tilápia, os quais apresentam vantagens e desvantagens segundo: o perfil, as condições da propriedade e as pretensões do investidor. Mas é o fornecimento de ração o principal determinante no desempenho da produtividade dessa espécie de peixe.

O mais comum em propriedades rurais no Brasil é o extensivo. É praticado em lagos e não há necessidade de fornecer ração. Os peixes comem alimentos naturais disponíveis no ambiente aquático. É considerado um sistema para lazer e subsistência. Pode-se chegar a até 500 quilos por hectare ao ano, a partir de uma criação inicial de dois mil alevinos.

A melhor indicação para o criador que está em busca de rentabilidade a custo baixo é o sistema semi-intensivo. Mas demanda a construção de viveiros, o que exige licenças ambientais, além de obras de terraplanagem, tubulação e outros procedimentos. Seu uso requer mais cuidado e dedicação do produtor. Nesse sistema há a vantagem de cultivar diferentes espécies de peixes em um mesmo viveiro. Podem ser misturadas a carpa cabeça grande, a carpa prateada, a carpa comum, a carpa capim e a tilápia. Todas possuem hábitos diferentes e não provocam disputas na hora da refeição.Se o cultivo for só de tilápia, a produtividade pode alcançar cinco mil quilos pro hectare por ano e, com o fornecimento de ração comercial,saltar para dez mil quilos.

O sistema mais apropriado para o cultivo de uma única espécie, no entanto, é o intensivo. A ração é essencial, pois a densidade é alta e o alimento natural não é o suficiente para manter o desenvolvimento dos peixes. A tecnologia empregada, além dos recursos financeiros mais elevados, exigem do produtor uma profissionalização de alto nível. A atividade mais sofisticada e empresarial e utiliza o super-intensivo, com altas densidades de peixes.

Tradicionalmente são utilizados tanques escavados no solo nas diversas instalações.Podem ser de alvenaria, de fibra e de chapa galvanizada. Os tanques rede são ideais em propriedades que possuem lago, lagoa ou estão próximos a rios, açudes ou reservatórios. Para pequenos espaços, a tecnologia de recirculação da água facilita a criação.

Os tanques devem ser separados, de acordo com a fase de desenvolvimento do peixe.Há viveiros para a produção, alevinagem e engorda, o que também evita a disputa entre as espécies de vários tamanhos. De importância fundamental é água, que deve manter seu pH para um valor próximo de sete. A correção é feita com a calagem do tanque com calcário agrícola ou cal virgem.

Raças e características
Suportam ambientes diferentes – A tilápia é um peixes de escamas com centenas de espécies. No Brasil, são encontradas as de origem africana, como a tilápia do nilko (Oreochromis niloticus) cujo peso pode chegar a cinco quilos; a tilápia rendali (Tilapia rendali), com cerca de umquilo, além da tilápia zanzibar (Sarotherodon hormorum). Toleram grandes variações de temperaturas e baixos teores de oxigênio dissolvido na água. Dependendo da espécie,podem ser onívoras, hebívoras ou fitoplantófagas (alimentam-se de algas). Mais adaptadas ao clima quente, atualmente novas versões de tilápias estão sendo produzidas por meio de melhoramento genético para suportar temperaturas frias.

Curiosidades – A desova das tilápias ocorre em qualquer ambiente aquático. Na fecundação, a fêmea expele os óvulos e o macho libera o sêmen. Após a fertilização, em um instinto de proteção, a fêmea recolhe os ovos na boca, onde ocorre a eclosão e nascem de 800 a mil alevinos, os quais permanecem na região bucal por alguns dias. Em viveiros de reprodução, o produtor captura as larvas ainda na boca das tilápias.

Juvenis precisam de menos tempo para atingir o peso ideal
O cultivo de tilápia demanda recursos elevados para se conseguir uma atividade com desempenho econômico favorável. Os investimentos podem ser reduzidos em caso de o produtor não estar interessado em uma produção em escala comercial. A disponibilidade do capital e o objetivo do empreendimento são os fatores que devem pesar na decisão do criador.

Os juvenis de tilápias são a melhor opção para iniciar a criação do pescado, embora mais caros. São alevinos mais desenvolvidos, medem dez centímetros, pesam de 20 a 40 gramas e têm custo médio de 300 reais o milheiro. “Os juvenis são mais resistentes e proporcionam economia de tempo para quem vai engorda-los”, diz Jorge Meneses da Abracoa.

As tilápias juvenis,por exemplo, precisam de mais quatro meses para chegarem no peso ideal para a venda, de 500 gramas. Já período de crescimento e de engorda do alevino para atingir o mercado consumidor é, em média, de sete meses.

Na região de São Paulo, o preço das vendas de peixe gordo varia de R$2,80 reais a R$3,50 reais o quilo. Os pesque-e-pague são os maiores compradores e desembolsam entre R$4,00 e R$4,50 reais o quilo do peixe vivo. No varejo supermercadista da capital paulista, tilápias com peso de 500 a 600 gramas, e originadas em cativeiro alcançam R$7,00 o quilo.

Fonte: Globo Rural Especial – Guia de Criação – 20 animais para pequenas propriedades.



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