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Cordeiros para Abate Super Precoce

A ovinocultura vem apresentando um acentuado crescimento nos últimos anos no Estado de São Paulo, seja pelo aumento no efetivo dos rebanhos, seja pelo aumento no número de propriedades envolvidas nessa atividade. Verifica-se ainda expressivo aumento na demanda de carne ovina, resultando em elevado valor de comercialização.

A produção de carne ovina representa hoje uma atividade cuja participação sócio-econômica é crescente e vem se firmando cada vez mais como alternativa de viabilização da pequena e média propriedade rural. Isso, aliado às características da espécie (docilidade, porte pequeno e da relativa rusticidade), permite a sua exploração utilizando a mão de obra familiar e instalações simples e de baixo custo.

Dessa maneira a atividade apresenta-se como uma alternativa a ser considerada na política de viabilização sócio-econômica da pequena e média propriedade rural, seja propiciando um incremento na renda “per capita”, seja propiciando uma melhoria no nível nutricional da família do pequeno produtor rural através da disponibilização de proteína animal, havendo ainda a possibilidade de estimulo da manipulação da lã e pele de forma artesanal, desde que conduzida de forma adequada e em sistemas que levem em consideração as peculiaridades de cada região, seja em termos de alternativas de alimentação (disponibilidade de subprodutos e resíduos agro-industriais, características de solo, clima e topografia, densidade demográfica e localização geográfica, etc).

Em São Paulo a demanda pela carne ovina concentra-se na de cordeiros, exigindo um produto com teor moderado de gordura, suficiente para garantir a maciez e sabor característico, mas não muito marcante. Tradicionalmente o mercado tem sido abastecido com animais oriundos de sistemas de criação onde atingem condições de abate, com peso vivo entre 28 e 30 kg, aos 150 a 180 dias de idade.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através do Instituto de Zootecnia, dentro da proposta de apresentação de novas alternativas e de pronta disponibilização de tecnologias que atendam à real demanda de informações do produtor rural paulista, desenvolveu um sistema de criação intensiva de ovinos, baseado na manutenção das matrizes em pastagens de forrageiras de alta produtividade e elevado valor nutritivo, manejadas intensivamente, associado à cria e acabamento dos cordeiros em sistema de confinamento.

Esse sistema, que prevê a utilização de reprodutores selecionados de raças especializadas para corte, tais como Ile de France, Suffolk e Poll Dorset, entre outras, em cruzamento com matrizes deslanadas ou crioulas, vem possibilitando a obtenção de cordeiros com elevado desempenho ponderal e boa conformação de carcaça.

Os animais, nesse sistema de criação, têm apresentado peso médio ao nascer de 4,5 kg e ganhos de peso da ordem de 280 e 240 g/dia nos períodos de pré e pós-desmame, respectivamente. Dessa maneira os cordeiros podem ser desmamados já aos 45 dias de idade, com um peso vivo médio de 17 kg, atingindo 30 kg aos 95-100 dias, estando aptos ao abate.

Nessa idade a carne apresenta-se com coloração rosada viva, elevado índice de maciez, sabor inigualável e moderado nível de gordura, suficiente para garantir uma leve cobertura da carcaça e a adequada marmorização. Em condições normais de criação, com as crias mantidas a pasto até o desmame, o desempenho, tanto das matrizes, como das crias fica prejudicado.

O menor aproveitamento e a desuniformidade na qualidade do alimento, prejudicando a mantença e a produção de leite das ovelhas e diminuindo a ingestão de nutrientes pela cria, resultam em menor ganho de peso e maior mortalidade de crias.

Nesse contexto deve-se ressaltar o efeito extremamente negativo da incidência da verminose, um dos, se não o maior, entrave à produção de ovinos, causando redução expressiva, da ordem de 30 a 40 %, no ganho de peso dos cordeiros, além de exigir a aplicação freqüente de anti-helmínticos.

Os estudos conduzidos no Instituto de Zootecnia mostram que a integração entre manejo, alimentação adequada e a utilização de reprodutores selecionados, possibilita o abate super precoce dos cordeiros, sem a necessidade de utilização de medicamentos, anti-helmínticos e de vacinas, pois os mesmos são criados sem qualquer contato com a verminose e a sua imunização contra outras doenças é obtida através da vacinação das matrizes ao final da gestação.

Isso garante imunidade às crias através dos anticorpos transplacentarios ou diretamente através do colostro. É este o cordeiro super precoce do Instituto de Zootecnia, um animal abatido com menos de 100 dias, com peso adequado às exigências do mercado, carcaça de qualidade superior e sem qualquer resíduo de produtos químicos.

Autores:
Luiz Eduardo dos Santos
Eduardo Antonio da Cunha
Mauro Sartori Bueno
(Pesquisadores científicos do Instituto de Zootecnia de São Paulo - Centro de Etiologia, Ambiência e Manejo).

Fonte: www.iz.sp.gov.br/centros/divzoo/textos/

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