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Aspectos sobre a Influenza Aviária e a Estrutiocultura

Introdução
A produção comercial de avestruzes é recente, e sua participação na cadeia transmissora dos VIA (Vírus da Influenza Aviária), é principalmente como agente hospedeiro, devido a sua alta resistência às infecções de um modo geral; não obstante a este fato, deve-se observar, que tal situação refratária a doenças, não se repete para os filhotes de avestruz, principalmente no 1º mês de vida, e portanto, criatórios e incubatórios de avestruzes, podem perfeitamente ser infectados, participando desta forma, como vítimas da Influenza Aviária.

A Influenza Aviária é uma doença causada por um orthomyxovírus tipo A, que pode afetar várias espécies de aves silvestres e de produção. O vírus da influenza é dividido antigenicamente em três tipos, denominados A, B e C. Os tipos B e C acometem apenas os humanos, enquanto o tipo A , tem espectro mais amplo de patogenicidade, afetando além dos humanos: aves, suínos, eqüinos, e algumas espécies de mamíferos aquáticos.

A freqüência de variação antigênica do vírus da influenza na natureza é bastante elevada e ocorre de duas formas: 1- Mutações ( "drift" antigênico) = variações pontuais nos genes que codificam as proteínas H (hemaglutinina) e/ou N (neuraminidase), levando a uma evolução gradual do vírus . 2- Recombinação Celular ("shift" antigênico) = rearranjo genético entre dois vírus presentes nas células durante infecções mistas, gerando novos tipos de vírus com H e N diferentes nas cepas originais.

Sistemática de Transmissão
Alguns autores sugerem que o aparecimento da Influenza Aviária possa estar relacionado com contribuições genéticas de vírus de origem aviária. Aves silvestres migratórias, principalmente os patos, podem servir como reservatório do vírus e disseminá-lo para outras espécies animais.

Um fato muito importante a ser considerado, é o alto poder de mutação dos VIA (Vírus da Influenza Aviária) na natureza, devido a mudanças moleculares no gene que codifica a hemaglutinina, aumentando a clivagem proteolítica da molécula responsável pela infecção, transformando um vírus de patogenicidade moderada, em um vírus altamente deletério.

Estudos epidemiológicos têm mostrado evidências sobre a transmissão de VIA de patos para suínos, e dos suínos para perus, sugerindo que a transmissão do vírus das aves para os mamíferos, e vice-versa, possa contribuir geneticamente para o aparecimento de vírus recombinantes na natureza.

Sintomatologia
A sintomatologia clínica nas aves silvestres é rara. Nas aves de produção como galinhas e perus , a ocorrência da doença é mais freqüente, se manifestando rotineiramente como doença respiratória ou renal, seguida de queda de postura, com a possibilidade aguda de mortalidade das aves, caso houver associação com fatores ambientais, estresse e infecções concorrentes.

Influenza Aviária em Avestruzes
Uma vez que a doença se instala em um avestruz debilitado imunologicamente, os sintomas respiratórios e renais apresentados são os mesmos já descritos anteriormente, podendo por final causar o óbito da ave. Em 1991, um vírus da Influenza H7N1 foi isolado de avestruz jovem (oito meses) no Sul da África, levando a alta mortalidade de avestruzes.

Joergensen (1998), constatou que os vírus de Influenza encontrados em avestruzes, exibem pouca patogenicidade ou são efetivamente apatogênicos para as galinhas, em um estudo epidemiológico realizado com um surto que acometeu 146 avestruzes submetidas a quarentena na Dinamarca. Foram detectados o vírus H5N2 e um paramyxovírus tipo 1, com forte sintomatologia de doença respiratória. 

No entanto, conforme já comentado, deve-se lembrar do alto poder de mutação dos VIA na natureza, onde vírus de baixa patogenicidade podem se tornar altamente perigosos e letais. Fato que já foi comprovado cientificamente, através de um trabalho de Swayne et al (1996), que reproduziu doença respiratória em ratitas através da inoculação experimental de vírus de patogenicidade moderada, e após o reisolamento e consecutivas passagens em ovo e in vivo , obtiveram um vírus variante altamente letal para galinhas, demonstrando o potencial real da transmissão caso avestruzes portadoras entrem em contato com outras aves comerciais .

Conclusão
O crescimento da criação de avestruzes no Brasil é notório e sua adaptabilidade à climatologia brasileira vem ano a ano demonstrando índices crescentes de produção, a cadeia produtiva começa a se consolidar, com o início dos abates, o avestruz se caracteriza efetivamente como uma ave de produção, e já se torna uma realidade dentro da gastronomia brasileira.

Neste aspecto, no âmbito da convivência harmônica da Estrutiocultura com as demais criações avícolas de produção, observamos que a inserção da Estrutiocultura dentro do PNSA (Plano Nacional de Sanidade Avícola) e o respeito a Instrução Normativa nº 02 do MAPA, que regulariza a criação de avestruzes no Brasil, associado a campanhas de esclarecimento junto aos criadores, em relação a importância do rigoroso controle sanitário destas aves, faz-se efetivamente necessário para evitar a entrada da Influenza Aviária no Brasil, o que certamente representaria um prejuízo para criadores de qualquer espécie de aves, além de ser um risco potencial para a saúde pública.

Por: Antônio José Piantino Fereira - Prof. Dr. do Depto. de Patologia - FMVZ - USP ajpferr@usp.br
Fonte: www.aepe.com.br


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