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Cultivo comercial do trairão

O trairão (Hoplias lacerdae Ribeiro), é um peixe de porte avantajado, grande, cujo peso chega a ultrapassar a 20kg. É assim denominado, popularmente, por ser parecido externa ou fisicamente, na coloração e no formato do corpo, com a traíra (Hoplias malabaricus).

A traíra é muito mais conhecida, porque pode ser encontrada desde o Nordeste brasileiro, até a Argentina, enquanto que o trairão existe em regiões bem mais restritas, ou seja, em apenas algumas bacias hidrográficas. Como a traíra, o trairão também é carnívoro, muito voraz e possui hábitos sedentários.

Reprodução
A diferenciação entre os sexos dos trairões é muito difícil, porque eles não apresentam dimorfismo sexual, isto é, uma diferenciação exterior entre os sexos, mesmo na época de reprodução. Em geral, em outras espécies, na época de reprodução, as fêmeas ficam com o ventre mais desenvolvido, devido ao aumento do tamanho dos ovários. Isso não acontece com as fêmeas dos trairões, dificultando a identificação dos sexos.

O mais fácil reconhecimento dos sexos é feito quando, na época da reprodução, os machos ficam muito agressivos, começam a construir os seus ninhos e não deixam que outros peixes se aproximem, atacando-os. A época ou período dos acasalamentos vai de setembro até abril ou maio do ano seguinte.

Os ninhos são escavados na terra do fundo da água em que eles vivem, são rasos e com um diâmetro de aproximadamente o comprimento desses animais. Para executar esse trabalho, os peixes utilizam suas nadadeiras e são, em geral, protegidos pela vegetação existente.

Os ovos são produzidos parceladamente, formando camadas e são permanentemente protegidos pelos casais. Quando se destinam à produção de alevinos, os ovos ou as larvas devem ser retirados dos ninhos e colocados nos tanques de estágio. Para esta operação, a água deve estar bem limpa, para facilitar a localização dos ninhos. Podemos, também, esperar a eclosão para, depois, já transferirmos os alevinos.

A água
A água do tanque deve ter apenas 15cm de espessura, além de ser renovada constantemente, para que se mantenha, sempre, uma boa aeração, ou melhor, oxigenação. Sua temperatura deve ser controlada rigorosamente, por ser um fator de grande importância para os peixes.

A aeração pode ser feita com o emprego de um cano ou mangueira de plástico, com uma pedra porosa na ponta, que deve ser colocada próxima aos ovos e que possua uma bombinha elétrica, como as empregadas na aeração da água dos aquários.

Produção de alevinos
Para a produção comercial de alevinos ou para o povoamento de açudes, são necessárias as construções de tanques especiais para a reprodução, estágio e alevinagem. Os tanques para a reprodução devem ter o fundo de terra. Como os reprodutores, na época da reprodução ou desova, são muito agressivos, quanto maior for o tanque, melhor, para que diminuam as brigas, os ferimentos e as mortes entre eles, na época da formação dos casais. Por esse motivo, os tanques devem ter, no mínimo, uma área de 200 metros quadrados.

Com trairão o canibalismo é mais acentuado do que em outras espécies, por esta razão, os tanques de estágio e de alevinagem devem ser menores do que os empregados para a criação de outras espécies carnívoras, para que o criador possa melhor controlar as larvas e os alevinos, evitando ou diminuindo esse problema.

Esses tanques devem ter a capacidade de 200 a 500 litros de água, podendo ser usadas, para isso, caixas d"água de cimento-amianto. Os tanques de alevinagem empregados tem, em geral, de 2 a 10 metros quadrados e uma profundidade de 50cm.

Quando atingem 3cm de comprimento, os alevinos devem ser transferidos dos tanques de estágio para os de alevinagem, nos quais vão sendo selecionados por tamanho, até alcançarem 6 ou 7cm. Este é o tamanho mais indicado para que sejam lançados nos viveiros ou nos açudes.

Para produzir cerca de 30.000 alevinos de trairão, por ano, são necessários 1 tanque de reprodução, com 200m², 10 tanques de estágio de 500 litros e 6 tanques de 10m², para a alevinagem.

Alimentação
O trairão é um peixe carnívoro e bastante voraz. Para os pequenos alevinos, nos tanques de estágio, além do plancto neles existente, e que é indispensável, devemos fornecer-lhes, também, uma ração balanceada com 48% de proteína bruta. Essa ração deve ser misturada com água, até a formação de uma pasta adesiva, que deve ser aplicada à superfície dos ladrilhos e colocada no fundo do tanque de estágio. Essa ração deve ficar em local de livre acesso para os alevinos e deve ser substituída à medida em que vai sendo consumida.

Os alevinos nos tanques de alevinagem, podem ser alimentados com filés de peixe moído, pois eles os consomem com facilidade. Quanto aos reprodutores, podemos alimentá-los com peixes vivos ou ração balanceada concentrada seca e peixe moído, na proporção de 1:1.

Fonte: www.ruralnews.com.br



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