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Os Múltiplos Usos das Plantas Medicinais

A Flora Medicinal
Os primeiros historiadores e naturalistas que aqui chegaram, logo ficaram deslumbrados com nossas riquezas naturais. Ficaram perplexos diante desse manancial de maravilhas que é a nossa flora, onde germina, cresce e se multiplica, uma variedade inesgotável de plantas com propriedades terapêuticas, medicinais e aromáticas. Uma maravilhosa fonte de saúde, criada pela natureza para apaziguar nossos males e preservar nosso organismo através de suas incríveis propriedades terapêuticas e curativas.

Os múltiplos usos das plantas medicinais

Obtenção de Extratos de Plantas Medicinais
A essência terapêutica das plantas pode ser extraída de várias maneiras. Dentre elas, destacaremos as mais utilizadas atualmente: a extração sob a forma de chás, tinturas, macerados, contusões, torrefação.

Contusão

Neste processo as partes da planta deverão sofrer pressão mecânica de forma a se extrair sua essência seja sob a forma de pó ou de pasta. O processo consiste em colocar a substância dentro de um gral e fazer com que atue sobre ela a mão ou pilão perpendicularmente, com bastante força, para destruir a coesão das moléculas.

Chás

É uma espécie de extração, por meio aquoso, à quente, de alguns princípios ativos contidos na planta. Para maior facilidade de extração, a parte da planta a ser utilizada deverá ser reduzida a pequenos fragmentos. Utilizam-se, comumente 2 colheres das de sopa para cada litro de água.

Os chás podem ser preparados sob a forma de Decocção ou Infusão

- Decocção
É a fervura da substância, para dissolvê-la pela ação prolongada da água e do calor. Utilizada sobretudo no caso das sementes de cereais, a decocção pode ser leve ou branda, carregada ou concentrada, conforme sua duração (alguns minutos a várias horas) e a saturação do líquido empregado.

- Infusão

Esse processo é indicado particularmente para as plantas aromáticas. A substância é colocada numa vasilha, que depois recebe água fervente e posteriormente é tampada. Após descansar por um certo tempo, a mistura é filtrada ou coada. O tempo de infusão varia de 10 a 15 minutos (para folhas ou flores) a várias horas (no caso de raízes). O chá pode ser preparado com o objetivo de oferecer o medicamento, conforme o caso, para a ingestão (como bebida), ou, ainda, quando se necessita capturar a essência da planta para produção de vapores para inalação, ou para a aplicação de cataplasmas.

Raízes, cascas e lenho

Colocam-se num recipiente com água fria, para em seguida fazer o cozimento durante 15 a 20 mnutos. Deve-se deixar esfriar um pouco, mexer e coar em coador de pano ou de papel.

Folhas e sementes

São colocadas em água fervente após ter apagado o fogo, e deixadas em recipiente tampado, mexendo de vez em quando antes de coar. É recomendável esmagar um pouco as sementes que têm casca muito dura, antes de colocá-las na água.

Indicações

ingestão, para problemas digestivos, febrífugos, diuréticos e como antidiarréico. Podem ser utilizados, também, de acordo com a indicação, sob a forma de banhos, gargarejos e lavagens, nestes casos deve-se utilizar uma concentração maior de partes das plantas, proporcional à quantidade de água a ser utilizada.

Maceração

Neste processo, a substância vegetal é deixada em contato com o veículo (líquido usado para dissolver o princípio ativo, como por exemplo: álcool, óleo, água ou outro líquido extrator), em temperatura ambiente. O período de maceração depende do material a ser utilizado. Folhas, flores e outras partes tenras são picadas e ficam macerando por 10 a 12 horas, enquanto partes mais duras ficam macerando por 18 a 24 horas. Embora lenta, a maceração é um método excelente para obter o princípio ativo em toda sua integridade.

As partes mais empregadas e seus usos, são:

Todas as partes das plantas podem ser utilizadas neste processo.

Indicação

Conforme indicação, são utilizados como compressas sobre ferimentos, como emplastros ou misturados a veículos para a composição de pomadas.

Extração do suco ou sumo

É um processo em que o remédio é preparado para ser utilizado imediatamente. Na preparação são utilizados frutos moles e maduros espremidos em pano ou folhas, flores e sementes triturados em liquidificador ou pilão. Nesses sucos podem ser adicionados água ou não.

Vinhos Medicinais

São preparações que resultam da ação dissolvente do vinho sobre as substâncias vegetais. O vinho utilizado deve ser puro, com alto teor alcoólico; tinto para dissolver princípios tônicos ou adstringentes e branco quando se deseja obter um produto diurético.

O método para se obter vinhos medicinais é muito simples: adiciona-se 5g de uma ou mais ervas secas, bem limpos e picados para cada 100ml de vinho e macera-se em recipiente bem tampado e em local escuro, por um período de 10 a 15 dias, sendo agitado uma ou duas vezes diariamente. Depois de filtrado, o produto deve ser conservado em local arejado.

Tinturas

A preparação de tinturas a partir de substâncias é um processo minucioso e delicado que consiste em misturar partes de plantas secas e dividas em álcool de pureza absoluta, onde o contato deverá ser mais ou menos prolongado para permitir uma melhor extração dos princípios ativos (8 a 15 dias).Podem ser, também, de natureza hidroalcoólica (água e álcool), em que são extraídos, conjuntamente, todos os princípios ativos da planta. As Tinturas apresentam composição constante, ficando, portanto, mais fácil estabelecer a dosagem.

A extração por este meio deverá ser feita em ambiente fresco utilizando recipientes, preferencialmente, de vidro escuro a fim de proteger os princípios da ação direta da luz. Por este processo as plantas são deixadas em repouso por determinado período de tempo a fim de desprender seus princípios ativos pela ação do meio hidroalcoólico. As tinturas são medicamentos líquidos. São produtos imutáveis quanto à estabilidade, mas variam na cor conforme se empreguem folhas secas, cascas, raízes ou flores em seu preparo. A variação da cor, do aroma e do aspecto das tinturas resulta exclusivamente da maior ou menor quantidade de pigmentos, tanino ou clorofila contidos na parte da planta empregada e, como essas substâncias são, geralmente, inócuas, não exercem influência sobre as propriedades medicamentosas dos extratos. O fato de uma tintura apresentar precipitação, formar depósito no fundo do vidro ou turvar pela agitação ou pelo movimento não é indício de impureza, má preparação ou sinal de que está sem condições de uso.

As tinturas são cuidadosamente decantadas, filtradas e envasadas em vidros selecionados, esterilizados em condições excelentes de uso. Mas, com o passar do tempo o medicamento pode apresentar depósitos, devido à maior ou menor concentração de substâncias solúveis presentes, no entanto, isto não significa que as propriedades estejam alteradas.

Para obter as tinturas deve-se utilizar:

- plantas frescas - utilizar a proporção de 50% em peso de plantas em relação ao álcool a 92ºGL, em volume, isto é, 500g de planta fresca em 1000 ml de álcool;

- plantas secas - usar a proporção de 25% em peso de plantas secas em relação à mistura álcool-água, na proporção de sete partes de álcool a 92ºGL e três partes de água destilada ou fervida, em volume, ou seja, 250g de plantas secas em 700ml de álcool a 92ºGL e 300 ml de água.

Após a obtenção da tintura, filtra-se e o resíduo é espremido em uma prensa, para extrair o líquido que ainda esteja presente.

As tinturas alcoólicas conservam os princípios ativos por muitos anos e são utilizadas em pequena quantidade para uso interno (puras ou diluídas) e externamente em maiores quantidades (puras ou diluídas).

As partes mais empregadas e seus usos, são:
Todas as partes das plantas podem ser utilizadas neste processo

Indicações:

Diluído em água morna, conforme orientação médica, para gargarejos, lavagens e, diluída em água à temperatura ambiente em casos que indicam a utilização de tinturas antidiarréicas, febrífugas, antiasmáticas, antitussígenas e outras; e, sob a forma de compressas, em casos de afecções cutâneas.

Torrefação

Este processo possui dois objetivos: desidratação, ou seja, retirada da água de certas substâncias e; alteração, submetendo-as a um princípio de decomposição que modifica algumas de suas propriedades.

O agente utilizado no processo da torrefação é o fogo. O café após a torrefação torna-se aromático, o ruibarbo perde suas qualidades laxantes e o ópio seu princípio viciante.

Modos usuais de preparo dos medicamentos

Os extratos obtidos através dos processos descritos anteriormente podem ser empregados na fabricação de diferentes tipos de medicamentos. Apresentamos a seguir algumas das formas mais usuais de preparo.

Tisana

Nome genérico dado às soluções, macerações, infusões e decocções preparadas com plantas medicinais. Quando a elas se agregam xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes, as tisanas são chamadas de poções.

Ungüento e pomadas

Medicação imediata, podendo ser guardada por tempo determinado. É preparado através da mistura do suco, tintura ou chá da planta medicinal com vaselina ou lanolina. As pomadas e os ungüentos permanecem mais tempo sobre a pele, devem ser usados a frio e renovados duas ou três vezes ao dia.

Xarope

Preparação de uso mais prolongado, usado principalmente para doenças da garganta, pulmão e brônquios. Para prepará-lo são necessários dissolver açúcar em água e aquecer até a obtenção de ponto de fio e depois acrescentar a tintura do vegetal na preparação.

Empregos domésticos de extratos de plantas medicinais

Inalação
Na inalação é utilizada a combinação de vapor de água com sustâncias voláteis das plantas aromáticas. Para direcionar o vapor é utilizado um cone de papelão colocado sobre com a base maior voltada para o recipiente e a base menor voltada para cima. Normalmente esse processo é recomendado para problemas respiratórios.

Cataplasmas

Preparações para uso externo, de consistência mole e compostas de pós ou farinhas diluídas em água, cozimentos, infusões, vinho ou leite. São preparados a quente ou, muito raramente, a frio.

OBS: Para o preparo de cataplasmas, pode-se, também, utilizar o extrato obtido através de outros procedimentos simples como:

- amassar as ervas frescas e bem limpas e aplicá-las diretamente sobre a parte afetada ou, envolvidas em um pano fino ou gaze;

- reduzi-las em pó, misturá-las em água, chá ou outras preparações e aplicá-las envoltas em pano fino sobre as partes afetadas e pode-se ainda, utilizar farinha de mandioca ou fubá de milho e água, geralmente quente, com a planta fresca ou seca triturada.


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