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Receitas para o Controle Agroecológico de Pragas e Doenças I

Eng Agrônomo Breno de Mello Silva do Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata – CTA-ZM, com a colaboração de Lacy de Aguilar Mello – Pedagoga – Universidade On-line de Viçosa.

A Prática Preventiva

Assim como em todos os ramos da atividade humana, na agricultura ecológica, a adoção de práticas e ações preventivas sempre foi a melhor forma de evitar problemas. No entanto, para serem efetivas devem ser acompanhadas de um diagnóstico criterioso e de um planejamento bem estruturado.

São procedimentos que contribuem para a busca do equilíbrio nas relações do homem com o meio ambiente, possibilitando uma interação saudável entre as necessidades do homem e a oferta pela natureza, de plantas, animais e minerais.

Essas práticas são benéficas não somente ao meio ambiente como também ao homem porque, além de evitar os inconvenientes provocados por uma infestação descontrolada e o conseqüente estresse somado às despesas adicionais, também contribui para a melhoria e desenvolvimento constante dos métodos de produção e de prevenção, voltados para a prática agroecológica.

Algumas medidas preventivas, de simples aplicação, podem ser tomadas no sentido de contribuir positivamente para a produção de culturas saldáveis e equilibradas. Entre elas, destacamos:

  • Manter boas práticas de manejo da cultura, desde o plantio até a colheita;

  • Procurar utilizar mudas de procedência conhecida;

  • Adotar práticas de plantio de cada espécie em sua época regular e no ambiente correto, evitando espécies exógenas que exigem cuidados e exigências extras (pois se encontram sob condições artificiais de crescimento, estando, assim, mais sujeitas a ataques de pragas e doenças);

  • Buscar a rotatividade e a renovação das áreas de plantio;

  • Manter diversificação de culturas na área. Normalmente os ataques se apresentam em quadros de monocultura. Uma boa sugestão é a utilização de leguminosas, gramíneas e compostas;

  • Adotar a corbertura vegetal morta (galhos e folhas cortadas) ou verde, utilizando mato ou adubação verde (feijão de porco, guandú, e outros);

  • Utilizar adubação orgânica de compostagem;

  • Realizar podas regulares;

  • Utilizar biofertilizantes, buscando estimular o crescimento saudável da planta, mantendo-a nutrida e com menos chances de serem atacadas;

  • Fazer observação rigorosa do desenvolvimento da planta de forma a detectar a presença de organismos indesejados associada a ambiente que facilitador de seu desenvolvimento;

  • Buscar oferecer à planta, condições ideais de desenvolvimento evitando que passe por situações de estresse (que são o caminho ideal para o surgimento de problemas);

  • Evitar o alastramento da infestação, eliminando as plantas contaminadas, nos casos de infestações isoladas ou em casos de plantas anuais ou de crescimento rápido;

  • Trocar experiências e relatos com outros produtores;

  • Buscar orientação de especialistas no trato e no combate às pragas e doenças.

O Diagnóstico

A adoção de medidas curativas prevê um diagnóstico macro contemplando, em primeiro lugar a relação entre o homem e o meio ambiente, observando sua interação e as formas de relação estabelecidas. É preciso focar o solo, a planta, o ambiente, o homem e a interação entre eles. É da interação entre estes elementos que surgirão, não somente a produção, como também, os problemas.

Antes de empregar ações curativas, deve-se buscar realizar o diagnóstico micro, envolvendo o problema em sua especificidade, verificando as causas da infestação. Para isto, deve-se observar: o tipo e a extensão do ataque, a época, quais as variedades mais atacadas, qual o tipo do solo e formas de manejo, possibilitando, assim, a detecção de possíveis falhas na prevenção e identificação das medidas curativas necessárias.

Com a adoção deste procedimento que abrange as duas formas de diagnóstico (macro e micro) será possível prever o surgimento de novos problemas e a adoção de possíveis soluções preventivas e curativas.

O Planejamento

O planejamento deverá ser realizado com a intenção não apenas de implantar uma ação curativa, como também de prever novos problemas e possibilitar formas de prevenção.

Assim, para o planejamento deverão ser levadas em consideração: as informações levantadas a partir do diagnóstico; as condições oferecidas pela propriedade, em termos de potencial de oferta de produtos a serem utilizados para a cura; as exigências da cultura infestada/infectada; as condições ambientais e topológicas da propriedade.

Com este procedimento, os problemas poderão ser antevistos e serão criadas condições estratégicas de prevenção e cura para os mesmos.

Apesar de todos os cuidados, nem sempre o equilíbrio necessário entre a ação do homem e a natureza, podem ser alcançados. Assim, sempre haverá casos em que será necessária a ação curativa. Assim, apresentamos, a seguir, algumas receitas de ação preventiva, praticadas por pequenos produtores em várias regiões do Brasil, que podem contribuir para a manutenção da saúde das plantas:

As duas receitas a seguir, possuem ação repelente e são indicadas para o controle de:

  • Mosca branca (Bemisia agentifolii e B.tabaci)

  • Besouros

  • Lagartas

  • Outros insetos

Receita 1

  • 0,5 kg Juazeiro (Casca) – deixar de molho em agua limpa por 3 dias;

  • 2,0 kg Cravo de defunto (flores e folhas) – triturar e deixar de molho em água limpa por 3 dias;

  • 0,5 kg Maxixe Bravo – moer e deixar de molho em água limpa por 2 dias.

Modo de uso: Misturar os ingredientes filtrados e aplicar semanalmente na proporção de 1litro da mistura para 20 litros de água limpa. Em casos de grande infestação, utilizar a cada 3 dias. Após o controle aplicar semanalmente.

Receita 2

  • 0,5 kg Juazeiro (casca) – deixar de molho em agua limpa por 3 dias;

  • 1,0 kg Angico (casca) – deixar de molho em agua limpa por 3 dias;

  • 1,0 kg Pereiro (casca) – moer e deixar de molho em água limpa por 2 dias;

  • 2,0 kg Mamona (folhas) – triturar e deixar de molho em água limpa por 3 dias.

Modo de uso: Misturar os ingredientes filtrados e aplicar semanalmente na proporção de 0,5 litros da mistura para 20 litros de água limpa. Em casos de grande infestação, aumentar a concentração para 1,0 litros da mistura para cada 20 litros de água.

OBS: (para ambas as receitas) não usar em plantas na florada pois pode repelir polinizadores.

Observar uma tolerância de 07 dias antes de colher ou utilizar as plantas – pois os ingredientes são provenientes de plantas com cheiro forte e sabor muito amargo.

Apresentaremos a seguir várias receitas testadas e aprovadas por produtores em todo o Brasil



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