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Assunto
O petisco do Bush
Notícia

2010 alvoreceu alvissareiro para a suinocultura brasileira. E, no último fim de semana, o Wall Street Journal trouxe uma notícia que deu mais esperança às empresas exportadoras e aos produtores que desejam esquecer logo o ano de 2009, que foi mal, muito mal.

Uma lei federal dos Estados Unidos abrandou as normas para aquele país importar pele de suínos para a produção do saboroso torresminho, muito apreciado aqui por nós e também na pátria do Obama. Foi uma empresa de Ohio que obteve resposta positiva do Departamento de Agricultura (Usda) para levar pele do Brasil para lá. Apreciador do petisco, o ex-presidente George Bush deve estar satisfeito em seu rancho no Texas. Seus colegas republicanos nem tanto, acredito, já que os EUA são os maiores produtores de torresmo de todo o mundo.

O Brasil é o principal favorecido. Os EUA morrem de medo de comprar carne de países nos quais suínos e bovinos têm doenças graves. Eles ficaram traumatizados desde 2003, ano no qual as autoridades sanitárias descobriram o primeiro caso de “vaca louca” no estado de Washington. Inglaterra e outros países europeus, além do Canadá, tiveram seus rebanhos de suínos – também de bovinos – atacados por várias doenças nos últimos anos. A empresa americana que obteve o sinal verde do Usda é a Rudolph Foods Co, da cidade de Lima, em Ohio, que possui uma fábrica de produção de torresmo em Chapecó, SC. Segundo Mark Singleton, presidente da Rudolph, a nova regra foi baseada em argumentos científicos. Santa Catarina é considerada área livre de vacinação contra a febre aftosa, que por aqui se manifestou nos estados de Paraná e Mato Grosso do Sul, em 2005.

Um detalhe importante: nos EUA, a carne suína se popularizou a partir da “dieta de Atkins”, a qual recomenda o consumo de pouco carboidrato. Pois é, torresmos não contêm carboidratos. São ricos em proteínas.

Eu andei pelas granjas de suínos há 15 dias em diversas regiões de Santa Catarina. Testemunhei a preocupação dos produtores com a assepsia nos estabelecimentos. O meio ambiente é pauta por lá. Vocês se lembram, por exemplo, dos mal afamados resíduos dos porcos, que antigamente eram despejados nos rios e igarapés? Pois é, hoje, eles viram adubo nas esterqueiras. São vendidos, proporcionando renda extra aos estabelecimentos, ou despejados em lavouras.

Diante disso tudo, é preciso dizer o seguinte: 1) As mudanças são forçadas por um mercado cada vez mais exigente. Os produtores não são anjinhos. 2) Não são todas as granjas que seguem ao pé da letra as normas ambientais, mas é uma tendência irreversível. Foi o que me garantiu Mario Lanznaster, presidente da Cooperativa Aurora, maior produtora de carne suína do Brasil. Ele tem mais de 40 anos como suinocultor. 3) Como George Bush, eu também gosto muito de um torresminho bem frito. Com café ou cachaça.

Sebastião Nascimento


Data da notícia: 27/01/2010
Data de publicação: 27/01/2010

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