Manejo ambiental

Aspectos agro e zooecológicos

 "Antes da própria implantação da atividade, algumas exigências devem ser contempladas para que a criação não seja uma fonte geradora de poluição"

A cadeia de produção avícola nacional constitui-se no setor pecuário com maior índice de industrialização. As questões ambientais relacionadas a essa atividade tomam uma importância ainda maior, devido aos vários atores desta cadeia exigirem um desenvolvimento produtivo com qualidade nutricional e ambiental, principalmente, os consumidores. 

Essas questões ambientais, as quais até um passado recente não eram consideradas pelos produtores rurais no manejo de sua unidade produtiva, a partir desse momento, passam a ser parte integrante do manejo cotidiano. Com isso, antes da própria implantação da atividade, algumas exigências devem ser contempladas para que a criação não seja uma fonte geradora de poluição. Essas exigências compreendem:

a) realizar um estudo preciso das características zootécnicas, hídricas, edafo-climáticas, sociais e econômicas da criação;

b) identificar os resíduos gerados pela atividade, isso possibilitará o perfeito manejo dos resíduos e dimensionamento do sistema de tratamento;

c) determinar a capacidade suporte dos recursos naturais em receber os resíduos, com o estabelecimento de indicadores ambientais para monitorar a atividade;

d) identificar outras cadeias produtivas que poderão consorciar-se com a avicultura;

e) detectar áreas ambientalmente sensíveis na propriedade e no seu entorno;

f) ter conhecimento das principais disfunções que os resíduos podem causar ao homem e aos animais, com levantamento dos primeiros sintomas e socorros necessários;

g) estabelecer um programa de gerenciamento ambiental considerando, não só a unidade produtiva, mas também a bacia hidrográfica em que esta se insere. Quando ocorrer uma expansão da criação estes parâmetros devem ser novamente considerados, antes da execução desta expansão.

Sendo esse diagnóstico inicial positivo quanto às questões ambientais, ou seja, a implantação da atividade não irá causar danos ao meio ambiente. Um Plano de Gestão Ambiental deve ser delineado para ser aplicado após a implantação da atividade. Nesse deve-se caracterizar a severidade e probabilidade dos riscos ambientais e dispor de um plano de ação para o caso de ocorrer algum problema. No plano os seguintes tópicos devem ser considerados:

1. Caracterização dos resíduos produzidos: os resíduos produzidos pela avicultura de corte compreendem a cama de aviário e as carcaças de animais mortos. A cama é constituída das excretas das aves, material absorvente (que pode ser maravalha, serragem, sabugo de milho triturado, capins e restos de culturas), penas, restos de alimento e secreções. Para um correto manejo deste resíduo é necessário que se conheça sua composição. O ideal é a realização de uma análise da cama para que o manejo seja feito com maior precisão. A quantidade de carcaças geradas irá depender da eficiência produtiva da criação. Assim, quanto melhor o manejo menores serão os índices de mortalidade e consequentemente, uma menor quantidade desse resíduo será gerada.

2. Mitigação dos impactos ambientais: a melhor forma para não se causar a depreciação dos recursos naturais é através da aplicação de Boas Práticas de Produção, as quais comprendem atitudes que os produtores devem ter para atingir a sustentabilidade da produção.

3. Tratamento dos resíduos: os dois sistemas utilizados para o tratamento dos resíduos avícolas são a compostagem e a biodigestão anaeróbia. Em ambos ocorre a geração de produtos que devem ser aproveitados a fim de viabilizar ambientalmente a criação. Os produtos são o composto e o biofertilizante, utilizados como fonte de nutrientes para as culturas, e o biogás utilizado como fonte de energia térmica para iluminação, aquecimento e movimentação de equipamentos e máquinas. A cama também pode gerar energia através de sua combustão, mas esta não é aconselhável pelos danos à atmosfera, pela emissão de gases e devido ao custo dos incineradores.

4. Aproveitamento dos resíduos: a cama pode ser aproveitada como fonte de nutrientes para as culturas vegetais após sofrer uma compostagem ou biodigestão, sendo os produtos destes processos o composto ou biofertilizante, respectivamente. As carcaças devem sofrer um processo de tratamento, sendo o mais correto, ambientalmente, a compostagem, mas o composto oriundo destes resíduos só deve ser aproveitado para a adubação de culturas florestais e jardinagem devido às questões sanitárias. Independente do tipo de substrato que se tenha, sua aplicação no solo deve respeitar condições básicas para que não ocorra poluição ambiental ou coloque em risco a saúde humana e animal. Isto envolve um Balanço de Nutrientes, onde as características dos solos, culturas e resíduos são consideradas em conjunto.

5. Segurança humana e ambiental: essas atitudes possibilitarão a manutenção da qualidade de vida do produtor e a saúde do meio ambiente e do rebanho. Inclui-se também a minimização da produção de espécies nocivas, como a criação de moscas, cascudinhos e roedores, ocasionada pelo mau manejo dos resíduos e entulhos.

6. Racionalização do uso de recursos naturais e insumos: sendo a avicultura altamente dependente de recursos naturais como água e solo e, insumos, principalmente, ração e energia elétrica. O uso racional destes irá proporcionar uma longevidade produtiva à criação e vantagens econômicas a serem refletidas no custo de produção.

7. Outras considerações: devido a promulgação da Instrução Normativa nº 15, de 17 de julho de 2001 (DOU de 18-7-01), que, no 2º artigo, proíbe em todo território nacional a produção e a comercialização de cama de aviário para a alimentação de ruminantes, esse tema não será considerado.

 

Autor: Julio Cesar Pascale Palhares

Fonte: www.embrapa.com.br

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