A importância do coqueiro anão verde

"O anão verde é precoce, podendo florescer até com dois anos de idade após o plantio definido"

O coqueiro é um dos principais recursos vegetais da humanidade. É considerado pelos pesquisadores como a árvore da vida, a planta de mil e uma utilidades. Todas as suas partes, como raiz, caule, folha, inflorescência e fruto são empregadas para fins artesanais, alimentícios, nutricionais, agroindustriais, medicinais e biotecnológicos, entre outros. Uma das suas principais utilidades atuais no Brasil, com grande perspectiva de uso internacional, é a água de coco.

A água de coco é um isotônico natural existente na cavidade da semente do coco, rica em nutrientes e de grande importância na germinação da semente e na sobrevivência da plântula. Começa a se formar mais ou menos um mês e meio após a polinização da flor feminina, e alcança seu volume máximo em torno de seis meses de idade. É exatamente nesse período que o fruto deve ser colhido para consumo in natura, ou para consumo agroindustrial, pois além da maior quantidade de água, ela é muito saborosa, rica em nutrientes e livre de gordura, o que a coloca em local de destaque para a saúde humana.

A água de coco corresponde a aproximadamente 25% do peso do fruto, e sua composição básica apresenta 93% de água, 5% de açúcares, além de proteínas, vitaminas e sais minerais, sendo uma bebida leve, refrescante e pouco calórica. A composição química média, no período ótimo de colheita do fruto para água de coco, é a seguinte: pH: 4,8; calorias: 18,1; acidez: 1,3ml de sol normal/100ml; grau brix (21ºC) 7,0; glicose: 4,4g/100ml; proteínas: 0,37mg; fósforo: 6,2mg/100ml; potássio: 175mg/100ml; cálcio: 17,5mg/100ml; magnésio: 8,5mg/100ml; sódio: 10,5mg/100ml; ferro: 0,06mg/100ml; vitamina C: 57mg/100g.

A água de coco vem sendo muito utilizada em áreas como medicina, biotecnologia e nutrição, entre outras. A Universidade Estadual do Ceará desenvolveu o GYR, que é um diluente e conservante de sêmen, extraído de uma substância ativa de água de coco, que aumenta a vida útil e a motilidade dos espermatozoides. A substância que promove a conservação é um hormônio vegetal, o ácido indol-acético, que testado em sêmen de cabras aumentou de 24 para 48 horas a sua vida útil, a 4° C. Já em sêmen de abelhas, a conservação passa de 3 horas para 5 meses, promovendo ainda maior aproveitamento (30%) do volume injetado na rainha. Além disso, ela é capaz de manter a longevidade de células como córneas humanas para transplante, culturas de tecido, meio de culturas para vírus e bactérias, e para obtenção de vacinas contra febre aftosa, raiva e leishmaniose. A água de coco também pode ser utilizada como meio de cultura para células vegetais, como embriões e pólen.

A densidade da água de coco é semelhante à do plasma sanguíneo. Assim, ela pode ser usada como infusão intravenosa, em casos de desidratação, devido ao seu pH favorável, pela presença de aminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, ácido ascórbico e eletrólitos diversos. Por este fato, ela foi utilizada durante a Segunda Guerra como soro fisiológico para reequilibrar os líquidos do organismo, durante as cirurgias de emergência. Devido ao seu alto teor de potássio, é indicada para pessoas com desgaste físico.

Em alguns países onde o déficit nutricional é alto, a água de coco é utilizada como substituta de produtos proteicos. Numa análise comparativa entre os aminoácidos do leite e da água de coco, observou-se a semelhança de composição de ambos. Foi notada maior porcentagem de arginina, alanina, cistina e serina na água de coco, e, em menores proporções, outros aminoácidos. O coco tem a vantagem de existir naturalmente em grandes quantidades em países onde a desnutrição é prevalecente. Na Índia, a água de coco fermentada é utilizada como suplemento proteico na refeição escolar, tendo sido observados aumentos no rendimento escolar e na estatura das crianças.

Algumas pesquisas revelam que ocorre uma queda de apenas 2% nos teores de açúcares da água de coco, no intervalo de 7 a 12 meses. Isso acontece porque, quando os frutos são verdes, as unidades de sacarose não estão combinadas, havendo quantidade suficiente de frutose livre (a frutose tem teor de doçura maior do que a sacarose). Com o passar do tempo, a glicose e a frutose se combinam formando a sacarose, favorecendo a queda no teor de açúcar. Na análise da água de coco em oito estágios progressivos de maturação (a partir do sexto mês), observou-se acentuada redução no volume de água, no conteúdo de açúcares, sólidos totais, cinzas e minerais, enquanto os teores gordura e proteína aumentam significativamente.

O coqueiro é composto por duas variedades principais: a anã e a gigante. A primeira, devido à maior precocidade de produção, á maior produção de frutos, ao melhor sabor da água e ao porte menor, é a mais recomendada para exploração comercial de água de coco. Nessa variedade existem as cultivares amarela, verde e vermelha. No Brasil, a cultivar anã verde é a única que está sendo demandada para plantio, neste momento, pelos produtores. Essa cultivar foi introduzida no País, através da Bahia, em 1924, pelo então Ministro da Agricultura Dr. Miguel Calmon, trazida do Oriente. Segundo estimativas da ABRASCOCO, só nos últimos anos foram plantados 27 mil hectares com essa cultivar, com perspectivas de serem ampliadas para 601 mil hectares nos próximos 5 anos. Com tal área os produtores pretendem aumentar o consumo de água de coco, de mais ou menos 1% para 4 ou 5% em relação ao consumo de refrigerantes, que é de aproximadamente 10 bilhões de litros.

O anão verde é precoce, podendo florescer até com dois anos de idade após o plantio definido, desde que haja aplicação de tecnologia. Em função, também, da tecnologia aplicada, a produção de frutos pode chegar a mais de 200/frutos/pé/ano. O fruto é considerado pequeno e contém uma média de 300ml de água. O porte dessa cultivar, na idade adulta (20 a 30 anos), é de 10 a 12 m de altura, e sua vida útil econômica pode chegar até a 40 anos.

 

Autor: Wilson Menezes Aragão, Pesquisador da Embrapa

Fonte: www.embrapa.br

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