Paisagismo em espaços públicos: benefícios para cidades e para população

Com experiência no desenvolvimento de projetos paisagísticos nas mais variadas escalas, não tenho dúvidas da grande tendência do mercado: os trabalhos que visam beneficiar as cidades e a população que usufrui de áreas públicas. A partir dos conceitos adotados em seus projetos, o profissional vem, no decorrer dos anos, alcançando cada vez mais espaço e se consolidando nessa escala urbana.

Na escala da cidade, um dos meus projetos de maior destaque é a construção de uma nova Parauapebas – município do interior do Pará com mínima infraestrutura e com o maior índice de prostituição infantil do país, onde vive um grande número de jovens rapazes que trabalham em uma mineradora da região.

 

A proposta desse trabalho foi criar acupunturas paisagísticas, ou seja, equipamentos sociais, culturais e de lazer, como campos de futebol, cinema ao ar livre, playgrounds, piscinas e praças de encontro. Com isso, procurou-se melhorar suas condições sociais, na tentativa de diminuir a ocorrência de casos de prostituição.

Outro importante projeto é do primeiro bairro com certificação green building: Pedra Branca, em Palhoça (Santa Catarina), que recentemente foi escolhido pela Fundação Bill Clinton como um modelo dos projetos mais sustentáveis do mundo (o único da América Latina).

 

O objetivo foi construir uma nova cidade multifuncional e sustentável, com infraestrutura completa destinada a usos residencial, comercial, industrial e comunitário. Foram criadas praças de estar, diversas opções de lazer ao ar livre, espelhos d’água e calçadas arborizadas. Utilizamos uma série de espécies nativas da Mata Atlântica e adotamos réplicas de inscrições rupestres nos pisos, que remetem à cultura local e à história dos primeiros habitantes da região.

Entre os trabalhos paisagísticos para parques está o respeitável projeto do Parque Jefferson Péres, em Manaus, criado de forma a resgatar o orgulho do manaura ao utilizar elementos que remetessem à época áurea da borracha na Amazônia. Foi adotado um pórtico de ferro fundido trabalhado a partir de releituras daquele período, com espelho d’água e referências à cultura e natureza do local. Utilizaram-se também plantas nativas, como o guaraná, a seringueira e o açaí; além do piso com desenho diferenciado representando o encontro das águas do Rio Negro e Solimões.

 

No âmbito das praças, um grande projeto é o da Praça Victor Civita, em São Paulo, também conhecida como Praça da Sustentabilidade, para o qual projetamos a vegetação. O desafio era fazer o plantio de variadas espécies em um terreno contaminado por um antigo incinerador de lixo.

 

Nesse trabalho, em que a vegetação questiona sobre a sustentabilidade, foram criados o jardim do etanol e biodiesel, com opções de combustível verde com plantas que não requerem solos férteis; o jardim das plantas transgênicas; o jardim das fitoterápicas; as leguminosas como adubação; a hidroponia vertical para pequenos espaços e as trepadeiras que propõem uma cidade mais verde, melhorando o clima e a umidade relativa e minimizando a poluição do ar. Além disso, foi utilizado o Tec Garden, uma nova tecnologia de irrigação por capilaridade que reusa água da chuva e dispensa energia elétrica.

Ainda nessa escala está uma praça da avenida Paulista, em um terreno da antiga casa dos Matarazzo. O desafio desse projeto foi dar uso ao local para os executivos e a população que frequentam essa região, sem perder a característica de espaço permeável que drena toda a água da chuva.

 

“Com esses projetos, buscamos mostrar que o paisagismo não é um simples jardim e sim um espaço externo que, em harmonia com a arquitetura, procura proporcionar lazer, convívio social, esporte, cultura, contemplação e educação ambiental, trazendo dignidade e qualidade de vida a todos - o que é fundamental em meio ao estresse e à conturbada vida moderna”.

 

Autor: Benedito Abbud

Fonte: www.forumdaconstrucao.com.br

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