Produção de leite: qualidade na ordenha e prevenção da mastite

A mastite é muito comum em vacas leiteiras, mas deve ser imediatamente tratada para que não comprometa a produção

Bezerro mamando

Há uma crescente modificação no controle de qualidade do leite e de seus derivados. Com a modernização da produção, todos os produtores se veem obrigados a produzir com os padrões mais altos de qualidade para sobreviverem no mercado. E, em uma rápida visita ao setor de produtos lácteos dos grandes supermercados, já é possível perceber a diferença.

A variedade de produtos disponíveis aos consumidores, a redução do número de empresas do setor, a oferta crescente de produtos com apelos ambientais e a busca por altos padrões de qualidade higiênica estão entre as principais razões dessa melhoria.

Assim, as empresas processadoras de leite estão buscando cada vez mais a melhoria no padrão de qualidade, para aumentar o leque de produtos e atender cada vez melhor as expectativas do consumidor quanto à durabilidade e ausência de defeitos, garantindo sua fidelização.

Algumas doenças nas vacas leiteiras também podem afetar a qualidade do leite, como é o caso da mastite. Paolo Vivenza, professor da Disciplina VET Profissional Clínica Médica de Bovinos, explica que a mastite causa alterações físico-químicas na composição do leite, ocasionando grandes prejuízos aos produtores rurais. Identificar os tipos de mastite que acometem o rebanho e os principais agentes causadores, além de suas fontes de infecção, tornou-se primordial para os veterinários profissionais.

Outras causas, como problemas relacionados ao treinamento da mão de obra, dificuldades na infraestrutura e uso correto de produtos ou procedimentos também são consideradas deficiências de higiene. A Federação Internacional de Laticínios propõe recomendações gerais para garantir a segurança alimentar e a qualidade higiênica do leite. Confira:

  1. Para garantir que a rotina de ordenha não cause lesões nas vacas (mastite) e não ocorra contaminação do leite:

- Deve haver identificação individual de todas as vacas, independentemente do tipo. O sistema de identificação deve ser fácil e simples.
- O úbere deve ser preparado antes da ordenha. Os tetos devem estar limpos e secos, seja pra ordenha mecânica ou manual.

  1. Para manter alto padrão de higiene durante a ordenha:

- Deve-se evitar a entrada excessiva de ar antes da colocação das teteiras e a sobreordenha.
- O leite dos animais doentes ou em tratamento deve ser separado e descartado durante todo o período de tratamento e de carência. O leite de vacas com mastite clínica com alterações visíveis como pus, sangue e grumos também deve ser descartado.
- Os equipamentos de ordenha devem ter bom funcionamento. Problemas técnicos e falta de manutenção podem causar lesões nos tetos e aumentar as chances de ocorrência de mastite.
- A sala de ordenha deve ser planejada para que sua limpeza seja facilitada. Assim, os riscos de contaminação do leite são reduzidos.

  1. Práticas recomendadas para depois da ordenha:

- Assegurar que o leite é adequadamente armazenado: o leite deve ser resfriado imediatamente após a ordenha. Esta é uma das principais medidas para garantir a baixa contaminação do leite, supondo que as medidas de antes e durante a ordenha foram seguidas corretamente.
- “A sala de leite” deve ser limpa e seguir protocolo de higiene. O local não deve ser usado para outras finalidades, como depósito de ração e outros produtos.
- A construção da sala de ordenha deve prever o acesso fácil ao caminhão que fará a coleta do leite.
Essas medidas são simples e devem ser rotina nas propriedades leiteiras para que a qualidade dos produtos continue a crescer.

Pontos de atuação para o controle da mastite:

- Rotina higiênica de ordenha, desinfetando os tetos;
- Checar se o equipamento de ordenha está funcionando corretamente;
- Terapia de vaca seca em todos os quartos mamários;
- Linha de ordenha;
- Tratamento de casos clínicos e subclínicos;
- Descarte de animais com infecções crônicas;
- Redução do estresse, suplementação vitamínica e mineral adequada e vacinas, o que melhora a imunidade dos animais.




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Fonte: MilkPoint – milkpoint.com.br
Rehagro Blog – rehagro.com.br/blog/
por Renato Rodrigues

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